junho 11, 2008

As minhas sinceras desculpas a Torres Couto

Desde já, pela insinuação infeliz e populista, cometida pela minha pessoa à figura de Torres Couto, as minhas mais sinceras desculpas. Não sabia de qualquer situação em "trânsito de julgado", apenas comentei por aquilo que li em jornais!

Andróide

Publicado por Reles em 05:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 06, 2008

O patriotismo da bola!

Portugal vive, mais uma vez, a euforia do futebol e está engalanado com bandeiras, de modo a manifestar o seu apoio à selecção nacional. Imagine-se agora, uma pessoa como o “Andróide”, que não vai aos estádios e que não gosta de futebol. Ora, ele não pode ser patriota da bola e não sabe como defender um país à custa destes heróis reconhecidos pela população. Estes portentados dos tempos contemporâneos, nunca ganharam qualquer troféu ao serviço da selecção mas, ganham q.b. muito dinheiro, o qual a maioria dos portugueses, seus fãs, jamais auferirá durante uma vida inteira de trabalho. Quando a crise abala muitas carteiras, os portugueses substituem o mofo das algibeiras pela alegria amalucada do Euro2008. A tremenda algazarra que se observa na televisão (telejornais e outros programas) deixa-me pasmado, perplexo, pois o país até se parece com o Brasil (Embora, o Brasil tenha muitos troféus, talvez seja essa a única diferença!), fazendo festa por cá e por lá (Suiça). A apoteose dos emigrantes lusos, em Neuchatel, deixou-me intrigado! Pergunto-me mesmo, será que os portugueses se contentam apenas com esta distracção desportiva porque têm vidas difíceis? Não fará este governo, como outros no passado, aproveitamento da situação, para castigar os meus pobres compatriotas com camufladas subidas de preços, taxas ou impostos, e quiçá medidas restritivas nos diferentes sectores da economia?! Enquanto se defende a pátria das balizas de futebol, a real pátria da cultura, economia e mentalidades vai atrofiando, dando nós cegos que o mais expedito não consegue desenvencilhar. Para mim, é uma autêntica moxinifada, a aparência de que somos os maiores, dado termos os melhores jogadores do mundo, no dizer dos jornalistas. Bem, se temos os melhores, temos o dever de ganhar porque se tal não vier a acontecer, então não são os melhores de coisa alguma. Eu gostava que tivéssemos os melhores cientistas e técnicos do mundo, os mais famosos economistas e gestores, os mais falados artistas plásticos e actores, enfim os mais reputados matemáticos e homens de letras. Esta confissão é própria de um néscio sonhador. Infelizmente, somos mais parecidos aos povos subdesenvolvidos da América Latina que valorizam o jogo e outras caqueiradas. Que eu saiba, na Islândia, Noruega, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, onde o I.D.H. (Índice de Desenvolvimento Humano) é dos mais elevados do mundo, o “soccer” (futebol) é considerado uma porcaria ou apenas sofrível no seu relativo interesse. Porém, na minha singela humildade, gostaria de me comparar ao Luxemburgo, onde o futebol é quadrado ou “pré-histórico”, mas que tem salários reais muito elevados, uma qualidade de vida das maiores do mundo. Também preferiria ser como as pequenas Suiça e Áustria (Organizadores do evento), cujas organizações socioeconómicas são estáveis ou consistentes. No fundo, se o “soccer” que é o desporto-rei em Portugal não existisse, o Andróide passaria bem sem ele, nem daria conta que essa modalidade teria tanta importância para os lusitanos. A cobertura televisiva exagerada, julgo que oculta o país profundo, carregado de desigualdades sociais, numa terrível mescla de desemprego e subemprego, onde a corrupção económica existe mas, nunca há culpados, com políticas insanas e todo um langor nacional (Para não expressar o termo frouxidão!) aflitivo no que concerne aos problemas reais, roçando o marasmo, e que aflige a vida de todos os dias. Face a isto, quero lá saber se o Ronaldo, o Figo, o Pauleta e o Moutinho são grandes craques! O Andróide gostava que os portugueses fossem craques na formação qualificada, na organização do trabalho, nos métodos inovadores, na especialização e na distribuição justa dos rendimentos. Se perguntássemos a um português minimamente consciente, se preferia ter mais qualidade de vida ou ser um pobrezinho e coitadinho, a apoiar a selecção e a doença crónica dos clubes, ele optaria se tivesse juízo, pela primeira situação exposta. Escolheria prioritariamente o seu bem-estar e o da sua família, descartando as coisas da bola. Depois, não entendo como os principais clubes se degladiam e têm inveja uns dos outros, e como existem tantos fanáticos contaminados por este ópio, o futebol. Não entendo também, face ao castigo do campeão nacional da bola redonda, como os mais directos competidores nacionais ficaram tão felizes. Porquanto, a desgraça de uns, alimenta a alegria balofa de outros! Os abutres alimentam-se desse modo! Mas, entendo por que somos pequeninos, invejosos, provincianos, bisbilhoteiros e com manias de grandeza. O português típico pensa que se o outro estiver mal, estando ele bem, isso basta! O parolo nacional parece ficar feliz com a pobreza ou a infelicidade dos outros! Este é um defeito sociológico do “portuga”! O Andróide gostava que, se ele próprio vivesse bem, também os outros tivessem o direito a viver como ele. Se eu tenho o meu vizinho a passar fome, eu importo-me bastante com isso, porque se todos como sociedade vivermos melhor, todos seremos mais felizes. Os oprimidos da iliteracia, os ignorantes e os incultos satisfazem-se com pouco e geralmente não aprendem a ser solidários, nem a ter comportamentos cívicos. Eu gostaria que todos içassem bandeiras do país, em prol da resolução dos problemas que atormentam o nosso colectivo. Por exemplo, solucionar os problemas da agricultura e da pesca, organizar os sistemas de saúde, ensino e justiça, criar bolsas de emprego, equilibrar a segurança social, apostar na Ciência e na Inovação, fazer pontes entre a Indústria e as Universidades, entre tantos projectos maravilhosos que podiam ser criados. Neste caso, não seria um bom patriota, apesar de desprezar as coisas da bola? Dá ideia que a única causa nacional que temos é a treta do futebol! Se qualquer português se bater por ensinar com dignidade a História de Portugal aos jovens, não será um verdadeiro patriota? Eu julgo que sim! Todavia, faz-me confusão que um Chefe de Estado tenha recebido previamente uma selecção (Fosse qual fosse a modalidade), quando outros congéneres já receberam equipas depois de terem ganho alguma coisa (França, Alemanha, Itália – todos discretos e com troféus ganhos). Imagine-se um P.R. à moda do Porto – tipo Rui Rio (Que não liga o mínimo ao futebol, um rico Andróide!), uma ovelha ronhosa (Não disse ranhosa!) a desprezar os aziúmes da carneirada futebolística! Está bem, era crucificado por este povinho tolinho! Mas, diga-se sem grande prosápia, a gleba canta antes do tempo e festeja o que não se tem ainda para festejar! Claro, quem atira foguetes antes da festa, corre o risco de apanhar todas as canas. Afora isto, provavelmente que o Chefe de Estado não receberia um estresicado, cheio de problemas e que tem direito a viver melhor! Teria agenda exclusiva para os necessitados? Tenho imensas dúvidas! Não obstante, enquanto perdurar no tempo este patriotismo da bola, o Andróide sente-se um “Extraterrestre”, num país de lunáticos que se dizem terrestres. Tenho a certeza que não fumo Santo Daime, nem tomo chã de lírio, ou qualquer estupefaciente para estar alienado por este estúpido “futebolês” (Usando a analogia com o “eduquês”)! Caros portugueses, ganhem juízo e deixem-se de patriotismos bacocos. Há mais vida para lá do jogo da bola e dos árbitros (Sempre com fama de rapinadores!). Por favor, sejam patriotas por outras causas bem mais importantes, sobretudo defensoras da nossa sobrevivência como povo e nação secular! Preocupa-me este adormecimento letal, uma estupidez a fazer furor como se fosse a lei da vida!

Andróide e o “Futebolês”!

Publicado por Reles em 04:16 PM | Comentários (0) | TrackBack