março 29, 2006

Imposturas e descomposturas

Vivemos uma época de incertezas nos contextos nacional e internacional e isso leva-me a espartilhar ideias sobre um “package” de medidas levadas a cabo em Portugal e nalguns casos porém, a nível comunitário. É evidente que mudar para melhor constitui um acto nobre de inteligência mas, a mudança pode ser progressiva ou regressiva, consoante apostas ou oportunidades conquistadas ou não conquistadas. O governo de Burócrates (Óptimo a anunciar medidas) anunciou 333 medidas para combater o monstro da burocracia (O “Simplex” e/ou o PSAL - Plano de Simplificação Administrativa e Legislativa). Ora, todos os portugueses querem menos burocracia mas, a efectivação de certas possibilidades encontra fortes obstáculos. Como será possível a uma pessoa idosa marcar uma consulta hospitalar via Internet? Muitos idosos não sabem lidar com os meios electrónicos (Incluindo Multibanco)! É óbvio que marcar consultas médicas, entregar o IRS ou fazer pagamentos de facturas pela Internet poupa deslocações, dinheiro, evitam-se papéis, além da maior rapidez e/ou eficácia do serviço. Tornar os nossos serviços mais qualificados e céleres, é tornar melhor a Administração Pública Nacional. Concordo com o esforço que seja feito no sentido de uma eficiente desburocratização (Secretarias escolares, finanças, notários, registos civis e prediais…). Simplificar actos na criação de empresas, matrículas escolares, Diários da República (Passam a ser digitais), escrituras de prédios, aquisição do selo do carro, carta de condução (Fala-se na carta de condução comum europeia) entre outros normativos (cartão único), é salutar e é pensar o século XXI. No entanto, outras medidas parecem-me demagógicas e é uma tontearia pedir aos portugueses que voluntariamente entreguem as armas (Quiçá, desarmamento para armar uma polícia em dificuldade). Acho que isto é utópico e como diz a minha mãe, o “povo está excrementado” e não acredito nestas bondades. Face ao actual escândalo do tráfico ilícito de armas, envolvendo policiais, a justiça nacional escancarada como está, não tem legitimidade para ir à casa do cidadão resgatar qualquer arma ilegal. Como é que um tribunal português actua numa situação “pantanosa”, talvez com uma lacuna legislativa perante situações deste tipo? Eu não vejo vantagem no pedido, nem é do estrito senso comum que um criminoso entregue de “mão beijada” armas apenas, algumas “pessoas de bem” certamente que poderão fazê-lo! É uma perfeita impostura (hipocrisia ou vaidade balofa) granjear brandos costumes nacionais, sabendo por exemplo, que cinco mulheres em Portugal morrem mensalmente, assassinadas pelos seus parceiros. A arma é uma forma terrorista de atemorizar a companheira (violência doméstica). Penso que entregar armas clandestinas é extremamente complicado. Sabe-se que tráficos de armas, droga e de seres humanos são negócios aviltantes, arrastando muito dinheiro sujo e Portugal infelizmente está na rota desses tráficos. Por outro lado, a aquisição de armas em Portugal parece ser fácil, só é batido pelos EUA, onde o “porte de arma” é praticamente um direito constitucional. Com a entrada de imigrantes ilegais e possivelmente com o aumento da criminalidade no território nacional, a insegurança tem aumentado. Daí que eu comece a escarumar com tanto fervor, só de saber que os mais ricos têm “seguranças com armas”, o governo tem os seus “seguranças”, a polícia e a GNR são obrigados a tê-las no patrulhamento mas, os pobres humildes estão sujeitos à sua sorte porque não há policiamento de proximidade. Estamos todos à espera de um despertar cívico?! Malgrado a espera, continuará o ad-eternum que nos tem colocado como povo atrasado relativamente à média europeia. Eu sei que a ausência de resposta das autoridades policiais se deve à falta de meios mas também, de atitude. Quanto à política portuguesa para Administração do Território considero-a opaca, não mostrando quaisquer atitudes meríficas. Senhor Ministro Tony Posta está a pensar no défice orçamental da polícia pois, a entrega de armas pode redundar numa revenda ou numa reutilização pela polícia desprovida de condições. Bem, deixemos esta descompostura (censura) e passemos a outra de grande quilate. O mundo parece-me que está a ficar xenófobo. A U.E. toma medidas para a deportação de ilegais e o espaço Schengen é uma “fortaleza” que se ergue para proteger as fronteiras europeias. O Canadá está a deportar indocumentados, isto é imigrantes clandestinos. Infelizmente 15000 portugueses estão na iminência dessa deportação massiva. Os EUA criaram o “fingerprint” para saber quem entra no seu território, com uma aversão ao sujeito desconhecido (potencial terrorista). A Austrália tem campos de detenção (Porque não dizer de concentração de ilegais) em Woomera, Port Hedland, Curtin, entre outros. O Japão vigia os indochineses e os filipinos que emigram para o arquipélago do Sol Nascente. Bem, o Mundo está apreensivo face ao estrangeiro, ao “bárbaro” que pode trazer inconveniências e conflitos graves. França debate-se com a questão dos magrebinos, Inglaterra com os indianos e paquistaneses e a Alemanha com a problemática dos turcos. Nós não somos excepção! É uma descompostura para um governo europeu, ver uma quantidade enorme de seus cidadãos serem expulsos de um país ocidental, quando grande parte deles estão no “país do plátano” apenas para trabalhar. O mesmo sucede com os ucranianos em Portugal! E não há receios relativamente a eles? Ora, com “ferros se mata” com “ferros se morre”! Começo a escarumar mais uma vez, talvez tenha miliária (Uma alergia ao calor)!
No Dia Mundial do Teatro (27/3/06) ouvi a ministra loira da cultura, cito – “A cultura é um veículo de qualificação dos portugueses”! Como é que ela quer qualificar os portugueses? Que ligação há entre as escolas e a cultura? As nossas crianças vão continuamente ao Teatro? A Cultura que temos é a dos “Morangos com Açúcar”, leitura da “Maria”, “Big Brother”, “banhadas telenovelescas” ou o ranço coscuvilheiro! Não obstante, não sei como é que um intelectual se deixa iludir perante as questões actuais de educação. Lembro ao Professor Marcelo, que recentemente lisonjeou a ministra da educação que esta se tem revelado uma desconhecedora da realidade do ensino no país. Senhor Professor Marcelo, as aulas de substituição denominadas aulas de acompanhamento de alunos (A.A.A.) são uma miséria, uma espécie de “O.T.L.” (Organização dos Tempos Livres) fracassado, uma desorganização total. Não são produtivas e têm mais de anti-pedagógico que de pedagógico. Quando a relação professor/aluno deve ser considerada importante, a maior parte dos professores substitutos não conhecem os alunos e são entregues às “feras” ou a turmas que não conhecem, assim como não há qualquer empatia dos alunos face aos professores que não são os seus! Caros E.E. (Pais), a Senhora Ministra, como parece crer, não meteu os “professores na linha”, pelo contrário subtraiu-lhes tempo de preparação de aulas e não se admirem que a qualidade do ensino se degrade ainda mais! Obrigar os professores a estar mais tempo na escola não significa dignificação dos serviços prestados! Como a educação e a cultura são vistas como bens não transaccionáveis, pois não se ligam a fins lucrativos, continuaremos na letargia do atraso em que vivemos e parece que até gostamos. Esta é a maior descompostura! Tentamos imitar modelos de fora, agora é o modelo finlandês que está na berra mas, os nossos alunos não são finlandeses e os nossos professores não têm equipamentos, nem condições materiais como estes escandinavos. Senhor Burócrates, deixe-se de imposturas óbvias, contra a burocracia até concordo, mas conversa fiada e demagogia, poupe-me, acho que chega! Olhe maquilhe-se de compadre alentejano e minta ao Pinóquio, sua “sesta rota”! Para mim passará de Burócrates a Pinócrates ou seja, um Pinóquio com poder! Pelos vistos, é fácil enganar os portugueses!!!


Andróide contra os impostores!

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março 22, 2006

A Lagoa de Óbidos

A Lagoa de Óbidos é a maior laguna costeira do litoral português e estende-se aproximadamente cerca de seis quilómetros até ao braço da Barrosa. É composta por áreas bem delimitadas: a Foz do Arelho (Área Aberta ao Mar), o Nadadouro e o Vau (Poças do Vau e da Cativa). As duas primeiras áreas pertencem ao concelho das Caldas da Rainha e a última pertence ao concelho de Óbidos. Na parte mais costeira situa-se o “Gronho”, uma formação arenítica que a abrasão tem vindo a demolir intempestivamente ao longo dos anos. Os maiores problemas da lagoa são o assoreamento crescente (sedimentação) e a poluição biológica/química. O assoreamento tem prejudicado a faina dos mariscadores e um areal extenso cresce no seu interior, denominado areinho. Os mariscadores pescam cerca de 2-4 toneladas de marisco/dia e a captura de bivalves é o principal sustento de cerca de 300 pescadores registados na Capitania de Porto de Peniche. Com o gadanho (Uma arte tipo ancinho, com caixa metálica para apreender os bivalves) capturam berbigão, mexilhão, ameijolas, amêijoa real, amêijoa-cão ou amêijoa-macha. Com o galrricho, normalmente apanham enguias, que celebriza o prato mais comido nestas paragens – o ensopado de enguias! As caldeiradas de peixe também são petisco de meada e requinte da região oeste, que se estende desde a Nazaré até à Ericeira. Os pescadores aventuram-se na lagoa também para capturar longueirão (Também conhecido por lingueirão). Relativamente ao marisco, as “bateiras” levam-nos às áreas mais baixas do interior da lagoa, onde fazem uso do gadanho para retirar o marisco. As bateiras armazenam as quantidades enormes de bivalves capturados. Os homens vestem fatos impermeabilizados para aguentar as diferenças térmicas da água e do ar. Porém, a poluição orgânica tem vindo a aumentar devido à pressão crescente da construção civil que ladeia a lagoa e dos suinicultores (Cinco suínos por hectare). Exemplo da enorme pressão humana é o aldeamento do Bom Sucesso, mesmo a jusante (Braço do Bom Sucesso) situando-se geograficamente do lado do concelho de Óbidos. Quanto aos bivalves existentes, estes apresentam um elevado teor de toxinas e a eutrofização é deveras crescente. Prova disso, são as vinagreiras ou tintureiras que surgem aqui e ali, assimilando oxigénio e muitos limos que eram fonte de nutrientes para o sargo e para o robalo. Estas vinagreiras normalmente largam uma tinta perniciosa para as outras espécies. Apesar da problemática contaminação do marisco, os homens da Foz do Arelho criaram uma estação depuradora, onde calibram o marisco, limpam as impurezas (areias) e retiram a toxidade à custa de um tratamento com infravermelhos. O marisco fica de quarentena cerca de 24 horas, antes de ser lançado no mercado. É vendido nas Caldas da Rainha e em Lisboa a cerca de 25 euros o quilo. Esta actividade de mariscagem começou na lagoa nos anos 60 do século XX. Julga-se que foram indivíduos oriundos da Ria de Aveiro que trouxeram para cá as artes, a perícia e aqui se fixaram. Os barcos moliceiros deram origem a barcos achatados muito adaptados, conhecidos hoje por bateiras. Inicialmente moviam-se com uma vara e actualmente movem-se graças a um motor. Também serviam nos anos 60/70 para recolher limo e adubar os campos férteis que circundam toda esta área lagunar, semelhança com o que acontece para os lados da Costa Nova, Ílhavo, Vagueira e Gafanhas. Todavia, os adubos azotados (potenciadores da destruição e depleção da camada de ozono) sobreutilizados nos campos, vieram contaminar as reservas de água cutânea ou superficial, assim como os lençóis freáticos e a própria lagoa. Mas, na área envolvente, instalações do Inatel e o Palácio do Grandella fazem a delícia dos banhistas, que continuam a frequentar a região. Grandella fez por aqui, um conjunto de casas para os seus trabalhadores, que viriam passar férias a uma região tranquila, termal (Caldas) e de bons ares. Falo de um maçon, o mesmo que implantou os armazéns Grandella no Chiado, na cidade de Lisboa. E para os biólogos, a lagoa de Óbidos é inesquecível porque comunica com a Barrosa, uma zona ecológica rica onde flamingos, garças-reais, gansos – patola, mergulhões, galinholas d´água, patos e corvos se abrigam durante a vaga migratória anual. Não distante deste local, situa-se o paul da Tornada (Caldas), espaço de lazer ou descanso para muitas aves na sua mobilidade transitória e sazonal. No paul vislumbram-se copos alimentares de gordura para os chapins, existem caniços e/ou canaviais que se alongam numa área húmida por excelência e muitos patos e cágados têm aí a sua guarida. Nesse centro ecológico, falcões peneireiros são anilhados e reeducados por falcoeiros da região. Além disso, tratam de aves feridas (Águias, milhafres, melros, corvos…) e sobretudo doentes, funcionando como um centro de reabilitação ornitológica. Postos de vigia e observação, acampamentos e estudos das aves (Pato-trombeteiro, galeirão-comum, pisco-de-peito-azul. Andorinhão-preto, guarda-rios…) fazem-se com afinco no paul. Voltando à lagoa, é inolvidável a interface de água doce/água salgada, um reservatório natural que deveria ser melhor cuidado pelo homem e que tem vindo a degradar-se a olhos vistos. Lamentavelmente muitos suinicultores rondam a lagoa com práticas abusivas de descargas orgânicas. É um património natural que deveria ter o estatuto de área protegida mas infelizmente, não usufrui dessa classificação devido às inúmeras tutelas da área do ambiente e das autarquias que a administram. São muitas as capelinhas e pouca a preservação natural e/ou a sustentabilidade do sistema natural. Repare-se que a divisão administrativa se faz a meio da lagoa, o que é bastante ridículo! O Paul da Tornada (Na aldeia da Tornada) num vale tifónico, é comparavelmente um reservatório inferior em espaço de água e vegetação, bem como noutras valências ecológicas, não obstante tem melhor sorte, porque está consagrada pela convenção de Sítio Ramsar há algum tempo. Neste sentido trabalha a associação ambiental – “PATO”. Espero neste texto, dar a conhecer a maior lagoa costeira de Portugal e os vários problemas ambientais que lhe estão associados. Já agora, cuidado com o marisco que pode eventualmente ser comprado nas bancas de “feirinhas” improvisadas, junto à Foz do Arelho pois, pode não ter passado pela depuradora, e por vezes, o marisco está ao sol, o que facilita a sua deterioração. Em relação a este ecossistema costeiro, urge a sua conservação, uma prática equilibrada do turismo de natureza, o sustento de gerações de pescadores e mariscadores enfim, uma gestão sustentável deste meio. Falamos de uma bacia hidrográfica com um reticulado variado de cursos de água (Rio Real, rio Arnóia, rio da Cal e rio Borraça) que a alimentam ou tributam suas águas, rondando os 440 Km2. A sua biodiversidade é notável, sobretudo na avifauna, na variedade ictiofaunística, vertebrados terrestres (lontra) e espécies endémicas de hepertofauna. A bordejar a lagoa, plantas aromáticas e medicinais fazem a delícia dos botânicos, destacam-se o alecrim que aviva a memória, a hortelã e a canela que ajudam a digestão dos comensais, ou a pervinca com potencial anti-cancerígeno. Se tudo continuar na letargia e na degradação progressiva da lagoa, poderemos dizer que é um paraíso em vias de desaparecimento!!! É tempo de não hibernar na pasmaceira da desgraça e da destruição, apostando na defesa de um biótopo de valor inqualificável! É preciso educar os cidadãos para o desenvolvimento sustentável. A Lagoa de Óbidos é um biótopo Corine com 2600hectares, um habitat prioritário de valor inegável! Visitem esta reserva hídrica, este santuário natural do litoral nacional com gosto, admiração, sensibilidade ecológica e sobretudo educação. E não se esqueçam que vale a pena defender o património natural português!

Andróide Verde, um Marciano Invulgar!

Publicado por Paulo Dias em 04:39 PM | Comentários (1)

março 15, 2006

(Co)mplexos Lexicais

Existem palavras que entraram factualmente no vocabulário activo português dos últimos anos e sobre elas, reflecti especialmente acerca do prefixo “co” em certas designações. Invariavelmente os portugueses habituaram-se à expressão – coabitação. Muitas famílias lusas conhecem o real valor do que significa coabitar. Os mais jovens casam cada vez mais tarde e coabitam com os seus progenitores e muitos jovens, quando contraem matrimónio, ficam a coabitar com os seus sogros (Seca?!). Relativamente à próxima legislatura presidencial do professor (Co Baco), muitos críticos adiantam que a coabitação com o Engenheiro Zézito será pacífica. Ora, fala-se numa coabitação ordeira, respeitadora e benéfica para o país. Será mesmo assim? O modelo presidencial do passado revelou comodismo (Lá está o “co” de comodismo) e resignação sobre o cunho da cooperação institucional. (E lá surge o maldito “co” na cooperação). Assim, aconteceu com Dom Marocas versus Co Baco (durante uma década). Porém, as actuais forças políticas no poder inverteram-se. Teremos mais uma década de coabitação do bloco central? O futuro responderá a esta questão e se a resposta se compaginar afirmativa, significará que os lusos nada aprenderam com o passado e mais uma vez a história se repetirá! Os politólogos entendem que a colaboração (Mais um “co”) entre os diferentes órgãos de soberania será saudável para a nossa democracia, sendo indesmentível uma co-ajuda de uma equipa vastíssima do Sr. Presidente. Não obstante, tabus e fantasmas do passado sempre voltarão à casa assombrada! O Engenheiro da Viragem do “Desemprego Crescente” também confirma outro “co” com a teimosa opção da co-incineração. Entretanto, a comiseração do pavor amedronta as populações de Outão e Souselas, bem como autarcas, voltando a declinar-se o interesse pela queima de resíduos perigosos nas cimenteiras. O problema está em encontrar uma solução para uma gestão correcta ou mais adequada destes resíduos. As populações pensam que a poluição atmosférica aumentará assim como, os riscos para a saúde pública em geral. É preciso demonstrar aos populares a melhor solução, um esclarecimento dos pareceres científicos e técnicos nesta abordagem. Os brasileiros para destruir resíduos perigosos usam outra terminologia lexical, não lhe chamam co-incineração mas, tratamento por destruição térmica. Os americanos chamam aos resíduos perigosos simplesmente resíduos especiais. Bem, quem faz a co-incineração na Europa? A maioria dos países!!! Contudo, não significa que tenhamos de imitar os nossos parceiros comunitários. Se ainda for possível aplicar a “política dos 3R”, ora a possibilidade de reciclar muitos materiais indiferenciáveis que são letais para o ambiente (óleos mecânicos, solventes, tintas, plásticos…) seria a solução mais indicada. Mas, se restar uma fracção residual para a qual não é possível reciclar mais, então é necessário fazer algo, como a co-incineração, a incineração dedicada, provavelmente seguindo as directrizes comunitárias. Não vamos exportar esse lixo para os países europeus para co-incinerar! A Comunidade (Lá está o “Co” da Comunidade) não perdoará! E misturar resíduos em aterros sanitários é periclitante e um verdadeiro atentado. Os aterros não foram construídos para albergar resíduos de alta toxidade. Lembro que a construção de aterros sanitários em Portugal também não foi pacífica! Ninguém queria aterros e por exemplo na região Oeste, várias manifestações se fizeram para contestar a localização de um aterro intermunicipal. Houve até mortes, foi um atavismo a toda a prova, pois ninguém queria aterros e funcionava o pensamento paroquiano, todos os concelhos defendiam a sua capelinha, recusando cedências. Ora, a lixeiras a céu aberto não eram solução! E o povo português demorou tempo a compreender que os resíduos tinham de ser tratados, sob pena de crescerem doenças, epidemias, ratização, contaminação de solos e águas. Há muito laparoto lanzudo a obstaculizar a capacidade empreendedora. Tudo chega com atraso e por isso, continuamos atrasados! Uma boa gestão dos resíduos implica uma boa gestão dos recursos naturais existentes. Bem, o governo do Zézito lá recorreu mais uma vez à “Comissão Independente” (Surge sempre o “Co”, agora na palavra Comissão) para validar a sua estratégia. Nunca sei se é co-financiada por fundos europeus. Ora, estudos e mais estudos não param de se fazer. Sei que as populações ficam a perder quando não são bem informadas porque ao fundamentalismo ecológico mistura-se uma panaceia política abstrusa, diria uma promiscuidade político-partidária que gosta de manipular o “povão”, a “galera” cá do sítio! E o nosso povo sarapantão está habituado também a coligações partidárias para co-administrar interesses. E quando as televisões dão enfoque especial ou cochicham a vida alheia, o nosso povo aprova e acha tudo isso, normal. Além desta normalidade anormal, o nosso 1º ministro quer instituir o “Cu” para quebrar a rede burocrática nacional. Deste modo, poderemos ter apenas um cartão em vez de cinco ou seis! Um dia destes, todos os cidadãos apresentarão o “cu” nas finanças, mostrarão o “cu” nas escolas, darão o “cu” à polícia e terão sempre o “cu” à disposição nos actos eleitorais! Como se não bastasse, o “Co” e o “Cu”, as equipas de futebol do FCP e do SLB contrataram dois caras de “cu” holandeses – o “Co” que é Adrianse e o Koeman, aquele que se lê “Co – man”. Há mesmo bom gosto! E com esta cambada de “cus” à paisana, o SCP corre o risco de ser campeão dos “Co – peões”!!! Não quero evidentemente coagir quem quer que seja, mas basta de sermos encharcados com complexos lexicais e mania de estrangeiradas. Por este andar, até a cochonilha chegará a Portugal para comemorar a sua picada, num país de “cu virado” para a cobardia (Falta de responsabilidade), a comissão (inquéritos infindáveis), a colisão (Nas estradas, nas tecnologias), a comunicação social insípida (Pouco formativa, sobretudo uma TV futeboleira, ceboleira e telenovelesca), a coesão duvidosa (Derrapagens constantes nas contas públicas) e a comichão (Gajas boas e adiantados mentais para alimentar os paparazis do sexo, não esquecendo que agora há uma nova moldura penal quanto ao lenocínio de menores, pedofilia e pornografia infantil). Com esta dose de complexos gramaticais do “bom português”, vou já comprar um colírio, não comparticipado pelo Estado (Vou ao Supermercado), para evitar tanta confusão e adormecer neste tédio de falta de estratégia para Portugal. Mais, irei arrear o calhau nos arrifes das nossas verduras nortenhas, bosques e montados mediterrânicos. Não pedirei ao Mourinho para fazer publicidade à rolha. Penso que todos os portugueses já estão bem arrolhados!!! Pronto, beba uma “Sagres Chopp” que isso passa! Olhe deixe-se de merdas e imagine-se num país de sonho, onde não somos co-arguidos de qualquer fracasso, não é isso que se faz virtualmente nos computadores? Então, força, colabore, com estas “cenas” dos grandes mentores!!! Afinal, ter no governo um PS com D ou um PSD sem D, que diferença lhe faz?! Com D (Democracia) ou sem D (Ditadura) é sempre o povo que paga a “fava-rica”. Imagine-se o que uma juíza americana, uma incontinente verbal citou recentemente, dizendo que os EUA caminham tendencialmente para uma ditadura! Ora, nós por cá, vivemos numa ditadura económica (OPAS e mais OPAS, os senhores do grande capital a reinar, fazendo grandes negócios, entretidos com esse jogo da oferta e da procura, das cotações da bolsa (Até o “co” entra na bolsa) enquanto a plebe grita esfaimada, aperta o cinto e faz sacrifício) porque já não tem sentido falar-se em ditadura política! Estes pataqueiros mandam ou enviam muitas balelas, são vorazes que conhecem tudo e sobre qualquer profissão opinam convencidamente com duvidosa sapiência. Não há remédio que cure estes senhores do cobre (CU – Símbolo Químico do Cobre)!!! E onde há “Cu”, há trampa (merdinha em lata!)!!!

Andróide de “Cu” para o Rei-Sol!

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março 08, 2006

Revoltas da Natureza!

Se alguém que tivesse vivido há mais de cem anos, voltasse a esta vida, ficaria surpreendido com as alterações profundas verificadas no litoral de Esposende. Não reconheceria as mutações da costa e morreria de espanto! A instabilidade dunar aumentou acentuadamente, algumas praias acabaram por desaparecer, afloramentos rochosos que não se viam antes, observam-se agora e toneladas de seixos colmatam o estrão. Entre a foz do rio Neiva e Belinho, a arriba dunar recuou e as praias de areia deram lugar a depósitos de quartzitos, resultantes do desmantelamento da plataforma continental imersa. Na praia de S. Bartolomeu do Mar, a destruição das arribas é enorme e a habitação/café – “Marimar”, sobre a duna primária virá brevemente a desmoronar-se e como tal, encontra-se na “antecâmara da morte”. E o mais grave é que a sul de um “bed rock” ou leito rochoso, entre Mar e Rio de Moinhos, o mar irrompe com facilidade o campo de cultivo porque a duna primária fora totalmente destruída. Uma interface de água doce e água salgada mescla uma área em que os agricultores cultivavam a terra. A intrusão salina pôs em risco toda uma área anteriormente fértil. Próximo deste lugar, o ribeiro do Peralto juntamente com uma maré mais viva, arrasou com outra duna primária enorme, ficando muita flora dunar com as suas raízes expostas. O leito do ribeiro mudou o seu percurso anterior devido ao espesso juncal, a alguns amieiros (Folhagem que se foi depositando), lírios da água e entulho que bloquearam a passagem antiga do curso de água! Um campo de estelas vislumbra-se a sul desta área e colónias de gaivotas, pilritos e gaivinas fazem normalmente uma escolta aos indivíduos que passeiam na orla marítima. Entretanto duas torres de tele-vigilância foram colocadas no litoral Norte de Esposende, nas praias de S. Paio de Antas e Cepães. Na praia de Cepães, os seixos já não dão tréguas, sobejando parcialmente intacta, a praia de Suave-Mar onde os surfistas espreitam as melhores ondas da rebentação. Na Foz do Cávado, o grito de desespero é gigantesco e lancinante! O velho farol e o forte de S. João Baptista admiram timidamente uma paisagem em mudança. A restinga está totalmente desfeita e o esporão da polveira (recife marinho) começa a enfraquecer. Uma ilha sedimentar amovível na foz bloqueia a saída da água doce do rio, mas a água do mar, essa entra com maior vigor. Uma duna que em tempos se tentou recuperar com uma paliçada está totalmente irrecuperável e o “fieiro” de areia ameaça desaparecimento! A cidade de Esposende está em perigo! E na actual época da lampreia não se vê vivalma no paredão da foz. Dizem os pescadores que a lampreia não cheira a água doce e por isso não entra! Não tem alimento e não há incentivos à desova! Na realidade, a seca permitiu caudais reduzidos e devido à pouca competência do rio, os nutrientes não conseguem chegar à “pancada do mar”. Por outro lado, a pesca ao galheiro foi proibida e as velhas “caícas” já não surgem com o “petromax” iluminando a água, mirando o ciclóstomo apetecível e apontando o galheiro, que era feito com enormes canas da Índia e anzóis na extremidade. Neste momento não morre uma lampreia e a azáfama à procura de enguia branca (Meixão) também morreu! Um tapete de narcisos (Autêntica infestação) vem rio abaixo, demonstrando uma forma de poluição biológica no Cávado, a Eutrofização! Nas coroas de areia, gaivotas, patos e corvos fazem a sua sesta, enquanto algumas galinhas d´água mergulham para capturar peixe. As aves são as maiores predadoras do pescado e uma autêntica “praga de mascatos” delicia-se, fazendo limpeza ao peixe que outrora era do pescador! Porém, o mais grave é a “espinha dorsal” da restinga sofrer uma migração para o interior do estuário e nenhuma autoridade competente toma conta da situação (Providências para corrigir e proteger)! A restinga sofre uma autêntica “escoliose”, não podendo praticamente recuar mais e os “Cavalos de Fão” esses, avistam-se cada vez mais distantes! Na praia de Ofir, muitas pocinhas de água surgem à superfície, junto à espuma do mar que se espraia. Essas cavidades denunciam a falta de sedimentos ou seja, uma intensa erosão. Os rios Cávado, Neiva, Lima, Minho…) não devolvem ao mar tantos sedimentos como no passado, fazendo uma adequada reposição. E não é só a seca, a responsável por caudais reduzidos, são também as represas hídricas e/ou barragens que retiveram os sedimentos. Porquanto, as Three Towers do Ofir ainda não ruíram não obstante, as obras de engenharia pesada aparecerem amiúde para proteger os alicerces destas construções indevidas, que o erário público obviamente paga. Pagamos os erros de um passado mal planeado. E agora?! Agora, resta esperar até cair e não será preciso pedir à Al Qaeda de Bin Laden! No Ofir, alguns miúdos praticam Kite-Surf e não notam essas diferenças. Alheados às vicissitudes das marés, as vivendas de Ofir são socorridas com enrocamentos na base. A Sul do Hotel Ofir, a praia da Sª da Bonança está deplorável! O sistema dunar recuou muitos metros e mesmo as infestantes (acácias e chorões) têm dificuldade em aglutinar as areias das dunas. Caminhando para sul, continuam a aparecer enrocamentos para defender as vivendas das Pedrinhas e as barracas de Cedo Bem. Aqui e ali, um barco de um pescador aparece em terra! O sargaço dissemina-se pela praia e o aroma das algas e do sal enaltecem os nossos sentidos. Alguns sargaceiros recolhem de tractor o sargaço para adubar biologicamente e fazem-no muito bem, as belas masseiras, campos únicos no mundo talhados sobre a areia. Um ganso – patola ou algo parecido surge morto na areia e de súbito, sinto o alarme do H5N1! Não sei se os senhores da Área Protegida do Litoral Norte (Sim, a APPLE foi extinta!) conhecem da existência desta vítima (Não se sabe as razões da sua morte e trata-se de uma ave migratória). Chegado à zona do “Bari e Bar”, um encanamento de água (Tipo esgoto) funciona como um emissário, apontado à pequena praia e ao mar. É um ribeiro que circunda os campos de cebolas, cenouras e hortaliças. Provavelmente traz resíduos químicos dos adubos não orgânicos que se usam intensivamente. Ainda se pensa que o mar é uma cloaca de todos os nossos resíduos, tendo aquele poder regenerador infinito. Estão redondamente enganados! É aqui na Apúlia que senti outra enorme angústia! O substrato rochoso que nunca se vira antes surge com uma altura incrível junto ao edifício abarrocado do “Pérola”, à estação de socorros a náufragos e ao castelo. De uma escada de pedra que nos levava a uma bela praia resta um fosso desproporcionado e enorme. O último degrau está a mais de 2m do solo, provando a enorme quantidade de sedimentos que se perdeu! A abrasão tem sido demolidora! O areal da praia de Apúlia só existe junto à “casa da bruxa” e próximo da “colónia de férias”. E o mais notável é que se faz um paredão e uma avenida junto à praia que já não existe! Recuperam-se os limites marítimos da vila mas, a Natureza não lhes mostrará o postal de um passado mais belo! Um extenso areal até ao mar já não é possível observar!!! E dói-me a alma por saber que continuamente cometemos os mesmos erros do passado. Sinto-me triste, sabendo que a natureza derrota facilmente os imbecis que ainda projectam obras junto à costa! O mar reclama o seu espaço e as revoltas da natureza não perdoam os nossos desvarios!!! Voltando à minha terra-natal, fico admirado pelo passadiço paralelo que irá nascer junto à avenida marginal, sobretudo próximo do “Vermelhinho”! Reabilita-se a ribeira sul, esperando que algumas inundações de anos futuros não destruam o que muitos tentam agora edificar. Na ribeira norte, umas esplanadas e dois a três bares adivinham-se para dar vida a uma marginal austera porém, não sei se pensaram como resguardar as pessoas da “nortada” típica! As docas secas estão em grande transformação e espera-se para os políticos locais a acostumada apoteose da obra feita. É uma revolução silenciosa que está a acontecer na minha terra! Até a Ponte Luís Filipe (Velha Ponte de Fão - Obra de Eiffel) está a ser reabilitada, reforçando a sua estrutura antiga. Contudo, a “ilha das vacas” que se observava da ponte está sem vacas, talvez devido à encefalopatia espongiforme ou à febre aftosa. Que saudades tenho daquelas vacas nadadoras do “Boi do Catarino de Gandra” que atravessavam as margens, sempre a nado! Não precisávamos de safaris africanos, elas faziam o mesmo que os hipopótamos nos hipopools. Agora, e ali tão perto existe a E.T.A.R. de Gandra! Ah, e o miúdo anão que parava junto aos Bombeiros de Fão, chamavam-lhe Rigolleto! E o “Fojo” (Antigo Estaleiro Naval que dava sempre as boas vindas a bordo!) do marujo Sérgio, uma tasca típica que até abençoava os patos bravos do rio. Pancadaria era o mote do dia-a-dia! Ali perto, ainda se encontra a estacada para capturar lampreia e neste momento está “às moscas”, melhor dizendo, apenas recolhe limos. Para montante vem o “Caldeirão” que nos leva à Barca do Lago (Gemeses), um paraíso perdido ou mais à frente o “Marachão” (Fonte Boa/Rio Tinto)! Voltando a jusante, como as águas do rio que correm para o mar, eu deixo-me levar pelas correntes que me prendem ao passado, afinal são as âncoras que me levam a sonhar com o futuro mais próspero da minha terra!!!

Andróide no Litoral de Esposende!


Publicado por Paulo Dias em 06:27 PM | Comentários (0)

março 01, 2006

Mãos ao ar que é o Xerife!

A democracia portuguesa é sinceramente inusitada ou inaudita e mais se parece com as novas democracias da América Latina. Não percebo como a Procuradoria-geral da República, a propósito do “envelope nove”, apenso à Casa Pia, autorizou um inquérito de investigação aos jornalistas envolvidos na cobertura de uma notícia no “24 horas”. O M.P. (Ministério Público) substituiu assim qualquer juiz de instrução que normalmente autoriza buscas e promove diligências da P.J com o devido mandado judicial. O que aconteceu no “24 horas” foi insólito! A P.J. entrou pela redacção do referido jornal, demovendo todos os jornalistas presentes das suas tarefas, apreendendo computadores pessoais, onde fontes confidenciais estarão eventualmente mencionadas em diferentes pastas informáticas. Isto é próprio de um Estado Policial e não de um Estado de Direito! A democracia dá passos graves em direcção à sua plena degradação, revelando resquícios opressivos do tempo “pidesco”. Não entendo como políticos da nossa praça não se insurgiram contra estas graves violações do direito de imprensa, liberdade de expressão e do sigilo das fontes pessoais e documentais. Eu não queria acreditar que pertencia a um país de trouxas ou idiotas resignados, hipócritas que se dizem democratas e que gostam de “lambe-botas” frequentes a engraxar os couros. Vivemos então sujeitos a um “Big Brother” avançado com um novo SIS ou a uma Procuradoria Policial ligada a um “Estado Zombie”? Se a resposta se afigura afirmativa, significa que uma pandilha nos governa politicamente e os Magistrados (Esses seres supremos, deuses do Olimpo) um destes dias até constituirão “tribunais plenários” para julgar delitos de opinião. Eu não gostaria de ver a imprensa amordaçada por sacanas fascistas, mesmo que eu não goste de certos jornalistas e dalguns serviços jornalísticos. Uma imprensa dependente da censura e intimidada representa um retrocesso, estribando uma viagem aos medos do passado e não ao desenvolvimento de um país civilizado. Sem as pesquisas jornalísticas não saberíamos, nem conheceríamos as situações graves de corrupção, crimes de colarinho branco, displicências dos governantes, usurpações, enganos e crimes diários. Como seria possível saber o caso “Amoreiras” de Miguel Cadilhe? Como seria possível saber da SISA sobre um “monte alentejano” com António Vitorino? E que imagens a televisão passaria a propósito da carga policial a outros polícias no tempo do Professor Cavaco?! Não ouviríamos falar do buzinão da ponte, nem teríamos imagens fidedignas na ocasião. Não teríamos sabido dos incidentes que envolveram os hemofílicos, aquando da ministra da saúde Leonor Beleza e das anedotas do Borrego! Certamente que os escândalos que conhecemos seriam menosprezados como a “Casa Pia”, o caso “Caldeira”, o caso do “Parque”, o caso “Dona Branca”, a “Moderna” e até o “Apito Dourado”, entre muitos. Estaríamos enganados e iludidos relativamente às reformas compulsivas de Santana ou de Teresa Zambujo, quando se exige aos portugueses que trabalhem mais anos. Também não teríamos conhecimento das incongruências de Soares e do “arraial de porrada” que levou na Marinha Grande há alguns anos atrás. Se não fossem os jornalistas, muitos “sacripantas” usurpariam dinheiros públicos mais facilmente, nunca saberíamos das derrapagens das Contas do Estado português nos “estádios de futebol”, “Porto 2001”, “Centro Cultural de Belém”, “Expo-98”, “Casa da Música” e dos projectos faraónicos que se anunciam com pompa e circunstância. Infelizmente, vivemos num país tolhido por gente pouco séria (Trapaceiros de alto quilate) que não paga impostos e são verdadeiras sanguessugas sociais. Muitos governantes e deputados partidários julgam viver num país do Primeiro Mundo e o nosso atraso é cultural e deveras confrangedor. Temos ideias e projectos de ricos mas, com carteiras vazias e a cheirar a mofo! Não quero acreditar que no meu país, os mesmos políticos que defendem a liberdade de expressão e a solidariedade relativamente aos cartoons dinamarqueses sobre Maomet, não tenham manifestado repulsa e condenação do Xerife “Solta o Moiro” que por intermédio do M.P. (Ministério Público) aprisionou material sagrado dos jornalistas. Violar as fontes e o direito de informação é próprio das ditaduras e de regimes autoritários e por isso, acho que não vivemos numa democracia antes numa “coisacracia” bizarra. E os pistoleiros do “saloon” aplaudem estas inquirições feridas de lama ou sujeira. Qualquer dia por retaliação, com mandado de um qualquer juiz, o cidadão comum verá o seu “PC” violado ou mesmo a sua casa. Um destes dias, qualquer opinião contrária às figurinhas políticas que nos governam e que o povo legitimou em eleições, não deixará lugar para dúvidas que vivemos numa farsa político-económica liderada por Bruxelas e numa cortina que encobrirá o fascismo da justiça portuguesa (Que ainda não se modernizou) e os senhores poderosos abusarão do seu poder. Tenho vergonha de dizer que os nossos jornalistas são atropelados inopinadamente nas redacções pois, em nenhum país civilizado da Europa isso acontece, nem aos tablóides que devassam a vida privada das pessoas e os “paparazzis” coscuvilheiros que fotografam impiedosamente figuras públicas. Estaremos a construir um Portugal de perseguições a quem divulga boas ou más notícias, correctas ou incorrectas? Por este andar a liberdade de imprensa morrerá e o seu funeral estará a ser marcado a prazo. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social que está a ser criada, tudo indica que será equiparada a um conjunto de policiais à paisana, podendo entrar pela redacção de um jornal ou de uma televisão. Tudo tem imensa piada – a liberdade de expressão que afinal não é livre, o segredo de justiça que afinal não é segredo, os inquéritos para apurar a verdade que nunca terminam ou não são uma verdadeira inquirição, antes escondem os problemas de quem os descobre e os divulga. Que “porcaria” de país queremos para as gerações vindouras? Os jovens aprendem muito cedo e interiorizam que os grandes senhores se mascaram de “impolutos e imaculados” e estes, facultam cunhas, favores, empregos, ignorando capacidades e méritos pessoais. Assim, o “nojo” lusitano perpetua-se e a incompetência singra e mostra-nos a mediocridade secular das nossas gentes. Continuaremos a ter uma população medíocre, ignorando os reais valores humanos nos campos da Ciência, da Tecnologia, da Literatura e da Arte. Perpetuaremos o célebre “mãos ao ar” que é o xerife e calem-se todos, antes que vos espete um “balázio” ou tenham de ir todos para a “choça”! Não me revejo neste país socrático à portuguesa, com casos do tipo “Manso Preto” e outros similares. Por outro lado, os direitos adquiridos por vários profissionais têm sido delapidados e estes, levaram décadas a ser conquistados e agora, querem colocá-los no lixo! Tratam os sindicatos por “forças do bloqueio” e os trabalhadores por malandros e sem o mínimo de respeito. Veja-se o que aconteceu na “Rhode” em Pinhel, cerca de 700 trabalhadores foram coagidos a assinar um acordo de despedimento amigável (sem contestação) porque a chantagem era uma enormidade. Os trabalhadores pressionados acharam melhor um acordo amigável para terem direito a subsídio de desemprego e algum dinheiro nas indemnizações. Que porca miséria pois é em tempo de crise, que os empresários mais golpes baixos desferem sobre os pobres trabalhadores. É esta a nossa democracia, a da trapaça? Temos um país míope às carências e depressões regionais. As assimetrias regionais e locais crescem acentuadamente, não há um garrote que estanque a hemorragia do desemprego. E a partir de Março teremos o Presidente de todos os portugueses, o “Senhor dos Oásis e das Califórnias” a apoiar mais restrições do PEC. No limbo, os “frodos” executarão medidas drásticas na “aldeia saloia” que é o nosso território. Custa a ouvir mas, estes aziúmes de mau humor provarão que não estou a falar à toa. Não sou um visionário, nem um vidente porém, tudo aponta para tempos mais duros em que as liberdades e garantias dos trabalhadores serão anuladas a expensas dos burocratas do governo, tecnocratas que citarão sempre a tutela ou os imperativos da Comissão Europeia. Continuaremos a ser um país de pés descalços e quando cruzarem com o Xerife, o Senhor da Terra, dos Mares e do Algarve ponham as mãos no ar porque os bolsos já foram “gamados”. Apetecia-me dizer alto e em uníssono – “Pára o baile de Carnaval”! Estou certo que continuaremos a lamentarmo-nos de termos nascido no lado errado da Península Ibérica. Perdoem-me os abnegados patriotas, os patrícios netos de Viriato e os filhos dos Afonsinhos do Condado. Não sei se adiantei a “minha verdade” ou a “verdade de muita gente descontente”. Paciência concidadão humilde, reza à irmã Lúcia, discute futebol para te distraíres e abstraíres da realidade e canta a triste sina do fado português. Continuarás a ser um bom cidadão português e conformado com o chicote que te rasga a pele e te gangrena as varicoses, dirás que não há conserto possível. Aclama o Xerife, neste saloon lusitano, pois não precisarás de conhecer o Texas. Mãos ao ar e passa para cá toda a “massa”!!!


Andróide, Operação “jornal censurado”!


Publicado por Paulo Dias em 10:30 AM | Comentários (0)