fevereiro 22, 2006

Burnout

Este vocábulo inglês traduz a “síndrome do fusível queimado” que afecta actualmente a maioria dos professores portugueses. É inconcebível que sejam constantemente os iluminados doutos das Ciências da Educação (Na realidade nunca deram aulas!) a testar experiências sucessivas na Escola Pública, que não têm tido real sucesso. Há um pseudo-êxito (Uma pseudonímia sem sentido) num ensino de massas que se confina a um número estatístico, indicando um maior contingente de alunos a obter o 9ºano de escolaridade (Ensino Obrigatório) e outro contingente que amplia o número de alunos com o 12º ano de escolaridade. No entanto, o grosso dos alunos nacionais transita de ano, sem saber grande coisa. Hábitos de leitura e estudo são menos frequentes e mais esparsos. O raciocínio também é constantemente preterido pela memorização das matérias debitadas. Prolifera o “aluno-empreiteiro” que apenas estuda para os testes! Um ensino experimental e prático não existe e as escolas nacionais não estão minimamente dotadas para esse efeito. E tal como a doentia inflação do estado português, também as classificações dos alunos portugueses estão demasiado inflacionadas, não representando uma verdadeira situação de aprendizagem. As reformas de papel timbrado e despachos ministeriais têm aumentado a carga burocrática, paradoxalmente numa época em que os computadores apresentam software cada vez mais avançado para reduzir essas papeladas imbecis. Mas, é preciso mostrar trabalho ou produtividade, então veio à “tona da água” a opacidade de um Ministério periclitante, obrigando os docentes a estar mais tempo na escola, diga-se a bugiar, contando caracóis, coçando “tubarus” e segurando mamas. A Senhora Ministra diz mesmo que os professores não são interlocutores preferenciais, demonstrando não ter um pingo de vergonha, nem de consideração pela classe docente. Além disto, os Encarregados de Educação entraram pelas escolas adentro, pensando que os seus educandos só têm direitos, omitindo deveres (Os deveres de respeito aos professores e auxiliares de educação, atenção, empenho, estudo, entre outros). Soma-se a isto, a carga disciplinar no unificado, exagerada e com disciplinas não curriculares que não prestam absolutamente para nada! Virá ainda a Educação Sexual! Mas, para a distribuição de preservativos pelos alunos, a ministra irá primeiro perguntar aos pais se deve fazê-lo. Reparem se os professores questionassem agora, se devem dar ou não os programas (longos e maçudos). Podia também o ministério perguntar aos pais, se os professores deveriam ganhar mais salarialmente. É no mínimo ridículo!!! Onde está a competência e independência deste ministério e desta ministra? Porém, a sociedade civil habituou-se a arremessar “bitaites” contra os professores, como se estes fossem “criados” dos mimados meninos (Pejados de telemóveis, leitores MP3 ao pescoço, IPOD nas algibeiras, PDA e os mais velhos com carros). Muitos pais premiaram os filhos com bens materiais mas, esquecem que os seus educandos nada fizeram de útil para o merecer. E nos tempos que correm, os professores têm de aprender a lidar com alunos insurrectos, sem ter grandes meios para se defender da arruaça de muitos. E não lhes adianta fazer formação de “pesos plumas” com Bento Algarvio (Um boxeur melhor que Tarzan Taborda!). Como foi recriada a imagem do professor com muitas regalias, não deverá haver qualquer pesar por esta sociedade ignorante, o facto de ter merecido pouco para sair da “cepa torta”. Muitos energúmenos julgam que os professores não preparam aulas, debitam matérias como os papagaios ad-eternum, não corrigem trabalhos de casa, não elaboram ou corrigem testes, pensam que fazem sempre as mesmas coisas! Claro, este povo de zézinhos e toninhos não reconhece a missão nobre que é ensinar algo aos seus filhos em estado bruto. É óbvio que falo dos excelentes profissionais, aqueles que são aplicados e dignos que felizmente ainda existem! Como em qualquer profissão, há bons e maus profissionais, embora se coloque tudo no mesmo saco (O perigo de se generalizar!). Ora, chamar regalia ao professor que em média ganha pouco mais que 200 contos (moeda antiga) é absurdo! Há trolhas, mecânicos, pedreiros, electricistas, carpinteiros… e outros profissionais a ganhar substancialmente muito mais. Ah chamam regalias às férias e ao artigo 102! Então, permitam aos professores tirar as suas férias em qualquer altura do ano, como os demais funcionários públicos. Mais ainda, se querem equiparar toda a função pública, todos ficarão proibidos de preparar aulas, levar trabalhos para casa, fazer e corrigir testes fora do expediente escolar! Os outros funcionários não chegam a casa descansados e não pensam no trabalho, senão ao outro dia de manhã?! Pois é, pimentinha no cu dos outros para nós é refresco! Mas, é habitual neste país de invejosos, falar sempre dos outros, sem conhecer verdadeiramente as realidades de cada profissão. Não é possível equiparar a função docente aos outros trabalhos de gabinete, repartição e/ou atendimento ao público. Querer igualar ou generalizar o que é muito diferente é um erro crasso! Contudo, há sérios riscos devido a uma ministra autista que quer reformar, sem escutar os professores! A senhora dá “ouvidos” à Associação Nacional de Pais e vilipendia os docentes que estão no terreno. E não falo só das “carreiras congeladas” e das inventadas componentes não lectivas, obrigando os professores a passar o tempo inteiro nas escolas. Será que a senhora ministra e a maior parte dos pais aturam os filhos 8 horas seguidas por dia? Duvido! Muitos pais só vêem os filhos à noite e enfadados com a labuta dura do dia-a-dia não têm tempo para eles! Mal sabem o que seus filhos fizeram durante o dia (O desempenho não é questionado!). E como a vida moderna consome tempo ao casal, pensa-se que a escola pode fazer tudo! Estão completamente equivocados! Guardam à “custódia” no depósito que se chama “escola” e ao fim do dia recolhem o “bem” pensando que ele foi devidamente “burilado”. Os professores não têm meios para educar incorrigíveis, pois as penas dos regulamentos escolares são ridículas (Os meninos até vão suspensos para casa 2-3 dias para passar umas “férias”). Não há castigos, perante as actuais pedagogias, só há prémios! Até existe uma consolação ao saber que os alunos pouco estudiosos têm “planos de recuperação”, embora estes não liguem nenhum. É uma forma de coacção para os professores passarem os brilhantes alunos. O trabalho é só para o professor e a “flor que não se cheira” passa a cheirar a passagem de ano porque o professor está cheio de se incomodar e não está para amar! Fazem-se planos e reuniões intercalares (Até nos escassos 2-3 dias de férias do Carnaval) para saber se eles continuam na mesma, a ligar pouco à escola, se evoluíram de forma forjada, contanto que a falta de estudo do aluno é sempre culpa do professor (E não quero vitimizar a situação do docente, é apenas a realidade nua e crua!). O menino não está motivado agora, vejam os senhores professores com salários de “mijarias” se estão motivados para esta “selva” inventada por secretarias de estado, associações de malfeitores e afins! Não admira que muitos professores procurem psiquiatras e cheguem ao colapso – “Burnout”!!! Até passaram a “alternar com professores faltosos e as ditas aulas de substituição (A.S.) passaram a ser “aulas alternadeiras” para tomar conta dos meninos que não querem substitutos dos seus professores disciplinares. Aliás, não há uma relação pedagógica próxima com os substitutos e por isso, certo mal-estar tem alguma razão de existir. Para o professor é um vexame, uma quebra de respeito, uma humilhação como profissional sério, pois que gostaria de ter uma actuação ao seu nível. A Escola Actual está pior que a Escola Fascista! E para os “coitadinhos” que não querem estudar, surgiram currículos alternativos, onde também se alterna o currículo especial com o currículo normal. E certamente que de invenção em invenção, mais ainda virá para degradar a qualidade do ensino em Portugal! Tudo está nivelado por baixo, e como a fasquia é baixa, então as expectativas de um bom futuro são de certeza escassas. Não duvidarei se estas “gerações mobiles” não prestarem para nada! A mediocridade faz sucesso e os três “F” agigantam-se – Fado, Futebol e Fátima. Quanto à proliferação de “maluquinhos” não tem mal nenhum, porque deste modo darão lugar a muitos professores desempregados. Estes obedecerão mais facilmente a todas as tramas para ganhar algum dinheiro, até virão a ser mais produtivos para o Estado ou seja, trabalhar mais horas por um preço mais baixo. Não é bizarro porque a exploração humana é uma faceta desta democracia esquisita que nos impõem. Por agora, meus filhos façam greve às aulas de substituição e não se substituam ou se demitam de defender os vossos interesses. No próximo ano, as A.S. serão extensivas ao ensino secundário e aí vai ser o “fim da picada”, uma verdadeira Pastorícia para adolescentes. O Senhor Engenheiro Sócrates arrogantemente anunciou a medida para o próximo ano lectivo e juntamente com a panegírica ministra da educação (Deu autógrafos como uma craque desportiva a pobres catraios) ainda não perceberam que as actividades não lectivas não ajudam a melhorar a qualidade do ensino e não são nada a favor da escola. Estão equivocados, quando pensam que são apenas os sindicatos a reclamar. Nenhum professor ou aluno vê vantagens. Questionem todos eles à escala nacional e já saberão a verdadeira resposta! Não fiquem pelas escolas-modelo! Venham à província, auscultem os agentes de educação em Bragança, Guarda, Vila Real, Viana, Viseu, Braga, Portalegre, Évora, Beja… O desgaste e a frustração profissional são imensas e os alunos sentem-se umas ovelhas e uns carneiros guardados no pasto. E mais incrível e paradoxal está na autorização dos Encarregados de Educação para os seus educandos saírem da escola quando o pretenderem. Muitos professores ameaçados por este biltre de pensadores fedorentos lançam umas “O.P.A.” – Oferta Pública de Aulas, dado que não são pagas e talvez não sejam pagas, por serem estúpidas e inúteis. Mais tarde ou mais cedo, o professor terá um “burnout” antes da reforma! Oh profeta perdoa as criaturas convencidas (Do governo) que não sabem o que fazem!!! Todos os professores sabem que estão definitivamente a enterrar o processo de ensino-aprendizagem no país. Se ele era de todo precário, agora está moribundo, numa agonia constante e a receber neste momento, a santa e extrema-unção! Professores, curtam o vosso “burnout” porque não haverá saída nos próximos anos!!! Peçam desculpas aos jovens pelas gerações falhadas que de certeza irão ser e por terem enganado os seus pais!!! E o Encarregado de Educação que entenda um dia, afinal cabe ao Ministério da Educação todas as responsabilidades, pois que exigem uma escola de pastores, infantilizada sobretudo até ao 12ºano. Só não percebi porque não implementaram ainda A. S. (Aulas de Substituição) para o Ensino Superior. De facto, reitero para que não esqueçam, quem são os verdadeiros responsáveis pela destruição do sistema educativo! Com este inconformado “speech”, parto sem dor, o que significa uma despedida de um anestesista!


Andróide Burner!

Publicado por Paulo Dias em 07:18 PM | Comentários (5) | TrackBack

fevereiro 15, 2006

O Gosma!

Numa localidade soalheira e cândida do Ribatejo vivera em tempos, um indivíduo empertigado com os seus preciosos metais, um autêntico usurário de baús, um aprazível “Patinhas da Caixa Forte”! Estudara numa Escola Cooperativa e comummente pedia boleia a veículos numa estrada de cubos graníticos para chegar a Vale de Santarém, sua terra-natal. Importunava os seus colegas com apostas e empréstimos monetários mas, raramente saldava os seus calotes aos desafortunados credores. Nunca pagou uma “bica” ao melhor amigo, nem um sumo “Compal” de Alperce a qualquer camarada de escola. Fora sempre um “unhas-de-fome”, um chuço incorrigível, um medraço chupista e amiúde esmifrava a boa vontade dos colegas mais generosos que o rodeavam. Achava que todos tinham obrigação de lhe pagar qualquer coisa! Era de um egoísmo oportunista inqualificável. Gosma cresceu poupadinho e mirrado pelos hábitos salazaristas da família. Uma certa ocasião, já homenzinho, resolveu passar de bicicleta pela campina e um touro enraivecido colheu-o violentamente, caindo para lá do caminho em que circulava ingenuamente. O touro de 350kg de biomassa bruta enfiou-lhe um chifre, de forma certeira, numa nádega, rasgando-lhe incisivamente uma parte muscular do glúteo. O bicho estava capaz de lhe esfrangalhar o “material bélico” e partiu-lhe o cóccix. As calças, à boca-de-sino, ficaram rasgadas e ensanguentadas e uma hemorragia exposta demorou tempo a estancar. Um garoto apelidado de Zigzig observou a investida do animal feroz e pediu socorro. Gosma fora parar ao Hospital de Santarém. Aí, uma especialista indiana – Sunita Rauto tratou do seu traseiro lacerado, diga-se de passagem, com muito empenho e carinho à mistura. A médica trintona era natural de Goa mas, vivia na linha do Estoril. A sua psicologia oriental ajudou o moço a ultrapassar a dor. Ora, funcionou como uma “Massagem Zen”, constituindo um bálsamo para a sua alma sorumbática e um unguento para as feridas. Quando o pai brasileiro de Gosma (Falámos da Terra de Pedro Álvares Cabral) chegou ao hospital, não queria acreditar no sucedido e quase arreava nas “bentas” do filho um enorme “estaladão”! Porém, o rapaz compôs-se e arregimentou o imprevisto da marrada luciférica, ocorrida em plena lezíria, como um acontecimento impensável e surpreendente. O touro tinha apontado o “porta-miras” ao seu ilhós aborregado sem qualquer pré-aviso. O pai de Gosma (Gosma era!) não queria pagar as despesas hospitalares e foi um grande sortilégio, Gosma ter encontrado uma enfermeira gótica (Estamos na capital do Gótico) por quem se apaixonara. Ora, compressas, gaze adesiva, pontos, pomadas e fórceps foram pagos pela enfermeira, uma ensandecida ferormonal. A médica Sunita acabava de perder uma enfermeira estagiária para o galhardo do cóccix alquebrado. Bem, o cu lá acabou por fechar isto é, as cicatrizes ficaram tatuadas distintamente e a apaixonada enfermeira, com a sua química rutilante e conhecendo uma esteticista de gabarito, iriam embelezar aquele “Shoukra” sofrido e feio. Ora, num “chã de quatro joelhos”, em que uma das partes não conseguisse confortavelmente sentar-se no café, era um grave precedente para a enfermeira Lucrécia que pretendia apresentá-lo à sociedade. Ele fazia exactamente o mesmo papel que um sujeito fistulado quando normalmente tenta se sentar. Deste cruzamento hospitalar, nascera um romance tórrido que haveria de dar os seus frutos! Entretanto, Gosma que era mais novo que Lucrécia, chegara à Universidade. Conseguira uma bolsa de estudo para a consecução dos seus objectivos estudantis. Durante o curso de Geologia, ele casara com a dita enfermeira, demonstrando que fora realmente picado por um Cupido de bata branca. Gostava de lembrar que S. Valentim não era santo. Afirmava que havia um tal Valentim que conhecera uma esculpida catraia. Sempre que ela se prostrava diante de si, ele via uma mama. Até que um dia, o sustém mais largo deixou fugir as duas mamas. Valentim interrogou-se: Oh filha, isso é tudo para mim? Ao que ela respondeu: “São… são… são…são…”. Então, ficaria São…. Valentim!!! Sendo assim, das lamechas anais ao matrimónio, o tempo voou rápido e em catadupa apareceram os filhos gosminhas, uns esgomados parecidos à mãe. E como o P.I. (Peso da Idade) vai dificultando a locomoção e os fortes peitos descem para as barrigas, Gosma dedicou-se ao ciclismo. Tornou-se um hobbie favorito, aliás um resquício do seu passado nos trilhos da campina. Nas provas em que participava, aproveitava sempre e sempre, os carros dos colegas de equipa. Nunca fizera uma prova em que o seu próprio carro tivesse de ser usado. A sua bicicleta fora sempre transportada noutras viaturas. Ele continuava de mãos fechadas e apertadinho nos movimentos pecuniários. Urdiu imensas vezes as algibeiras dos outros, explorando os bens que não eram seus. Era manifestamente um somítico inveterado e um hidropota jocoso. Entretanto, obtivera o seu mestrado em “Calhoada” (Não disse “Colhoada”!) e fizera uma pausa no ciclismo. Conseguiria a sua formação no “Campus de Gualtar”, numa prestigiada universidade portuguesa. Então, descobrira “Antrax”, o “rapaz da massa” que topograficamente fizera umas medições do recuo do sistema dunar no Litoral Norte de Portugal. A sua estimada “nurse” viria definitivamente viver para a cidade dos arcebispos – Braga com os seus petizes. Eles deixavam para trás as raízes escalabitanas! Gosma apoderou-se do “bom serás” que era Antrax e este, juntamente com o seu cão coxo –“Tripé” prestavam serviços ao famigerado “Mestre Mãos de Vaca”!!! O mestre viria mesmo a doutorar-se em “Godos à Paisana”! Fazia questão de dar umas lições científicas aos ilustres colegas (Mas, pagas!!! Ora, ora, Gosma iria dar de borla?) e ufanadamente falava do poder cósmico do seixo. Não obstante, chegaria o momento em que subiria ao encéfalo, os “galões” conquistados e este, esquecera o velho amigo Antrax e todos os préstimos firmados. Esquecera inúmeros momentos em que o tinha procurado na vila de Samora Correia e nas cavalariças de Salvaterra de Magos. Contava dele e com desdita, as aventuras equestres na Golegã, as forragens ou fardos de palha que alimentavam a égua “Zorba” e um puro raça lusitano com o nome de “Gurka”. Um dia comparou Antrax a um negro das sanzalas. Tudo se parecia com aquela dicotomia que se questionava e se colocava à prova: - Qual é a diferença entre o Antrax e o Trabalho? A resposta racista era sempre a mesma – o Antrax é pó branco e o Trabalho é pó negro! Em tom de chacota ou escárnio dizia mesmo que a árvore genealógica de um negro era um andaime! Gosma, apesar do seu carácter explorador, avaro e vaidoso, era um sujeito muito bem-humorado. Julgava que tinha nascido com “tomates d’ ouro” e todas as beldades normalmente caíam nas suas garras mouriscas, ficando sensibilizadas pela sua beleza e pelas clareiras capilares da cabeça, um vazio frondoso de uma testa alta. Era um “fodimalhas” que se achava playboy, dando umas “facadas” aqui e ali, no matrimónio. Rezam várias histórias suas, lá pelas bandas da planície, que são muito caricatas. Um dia, uma das suas apaixonadas, uma ceguinha de olhos bem abertos, andava muito inquieta porque queria contar a sua verdade sexual. Então, ganhou coragem e disse-lhe: - Gosminha, eu… eu….eu sou virgem! Ele respondeu prontamente: - Porra, Zeferina, eu não vou fazer um presépio! Este episódio passou-se e outras aventuras se sucederam. Numa escapadela ao Ribatejo, arranjou uma dissimulada amante que se mostrava inocente e pouco sabedora da vida mundana. Um dia, passeando com ela pela lezíria, avistara um burro com um pénis de quase meio metro e ela perguntou-lhe docemente: Gó, o que é aquilo tão grande no burro?! Sem embaraço, ele respondeu: Ó mulher é o sexo! Ela de imediato retorquiu admirada: - Chiça, se é assim no burro, tu que és doutor, como será o teu?! O Doutor das Pedras Ortocromáticas conquistara um lugar ao sol, o seu pai brasileiro morrera e as partilhas foram demasiado abonatórias para os seus ganhos monetários. Musculou uma rivalidade com as suas irmãs – a Milona, a Mictória das Curvas, a Mijecta e a Micas do Piçudo, de modo a ficar com a melhor fatia da herança. Como era o único filho homem, ele impôs-se com uma exagerada arrogância. A sua acutilância seria fatal porque todas as irmãs se zangaram com ele e as últimas discussões foram ríspidas. Estou certo que um dia, Gosma morrerá e deixará uma carta ao “Cordinhas dos Caixões” para não onerar a conta do funeral, às tantas mitigando uns míseros trocos para os seus herdeiros. É uma verdade inviolável, não levará o dinheiro consigo ou toda a riqueza criada, porque na “Cidade dos Pés Juntos” não validam esses valores terrenos. No entanto, a estabilidade financeira que o Doutor Gosma foi adquirindo nunca permitiu que ele gozasse a vida. Foi sempre escravo do dinheiro e por sua causa explorou familiares e amigos. Moral da história: - Um “Gosma” eterniza-se durante a vida mas, dissipa-se perante a morte! Todos somos voláteis na Terra e uma lavagem industrial não desfaz a usura, a avareza desmedida ou a vaidade fátua. Nem a “goma-arábica” consegue depurar ou engomar um estilo de vida hermético, onde o dinheiro parece ser a chave de tudo! Pois é, o vil metal ilude o comum dos mortais, porém saber utilizá-lo é melhor que guardá-lo sem qualquer aplicação útil. Gosma é o personagem recriado que se parece com alguém que você certamente conheceu nesta vida insana e impura. Se pensa que é mera imaginação ou ficção, respondo-lhe simplesmente – Olhe que não! Olhe que não!


Andróide contra os “Chupetas Sociais”

Publicado por Paulo Dias em 06:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 12, 2006

Estou "Opado"!

Um destes dias acordei estiolado pela secura do tempo, o cieiro era áspero e a pele estava gretada denunciando falta de hidratação. Senti um frio polar enorme que se entranhava nos ossos descalcificados pela minha idade madura. Apesar do esforço físico, fiquei mais desengonçado e com avolumado distress, escutando que a “Sonae.com” lançava uma “OPA” sobre a “PT”. Apercebi-me que o maior grupo empresarial português pertencendo ao Engenheiro Belmiro de Azevedo estava dando passos gigantescos para adquirir a maior empresa nacional. A Sonae comprou acções suficientes para poder participar na Assembleia-geral da PT. A minha percepção algo céptica sobre o maior negócio operado em Portugal confirmou-se com o diálogo previamente estabelecido entre o Governo e a família Azevedo. Pareceu-me então, e até posso ter sido iludido, de que o governo estivesse interessado em desfazer-se das suas “acções douradas” isto é, esbater a “Golden Share” que Bruxelas condena com firmeza. O lançamento da Oferta Pública de Aquisição não tendo sido solicitada pela PT, foi considerada pelo seu Administrador Horta e Costa como hostil. Porém, o valor oferecido é considerado pouco para a empresa, mas para mim, é tão megalómano que me põe a pensar, atinge o score de 11,2 mil milhões de Euros (10% do PIB português), uma quantia com muitos zeros para portugueses como eu e talvez para a maioria dos meus concidadãos. De seguida, fiquei mais estarrecido com uma segunda OPA relativamente à PT Multimédia, o que elevou o conjunto das “OPA” para um valor acima dos 13,9 mil milhões de Euros. Para uma empresa como a SONAE que vale no mercado 2 mil milhões de Euros corresponde a uma compra invejavelmente exorbitante e ambiciosa (É como se o Marítimo comprasse o F.C. Porto, o Nacional o Benfica ou o União da Madeira o Sporting!). Claro que o Banco Santander/Totta (Tipo “Testa de Ferro”) financiará grande parte do capital para a concretização da OPA. Traduzindo isto por “miúdos”, compreende-se que uma empresa de menor dimensão pretenda comprar um “Golias” e assim, crie concentração empresarial no sector das Telecomunicações. Não sei se virá a ser um “monopólio” e receio que tal não venha a beneficiar o consumidor nacional. Sei que qualquer indivíduo, por exemplo, tem o direito de comprar uma casa. Imagine que ele tem apenas 25000 Euros mas, ele quer uma casa que vale 150000 Euros. Ora, ele tem o direito de contrair um empréstimo para concretizar a sua pretensão. Também qualquer grupo económico tem o direito de comprar qualquer empresa da nossa praça. Contanto, o comum dos mortais se pedir uma quantia na ordem de 1 bilião de Euros terá que obter aval bancário segundo a sua credibilidade. Belmiro é o homem mais rico de Portugal e é credível para o Banco Santander e para o Estado. Não estou certo que ele venha a beneficiar os clientes nacionais (Rede fixa de cobre ou cabo, Banda larga, rede móvel…) mas, o lucro é o que ele avidamente espreita. Num período em que o “Plano Tecnológico Socrático” teve o “empurrão” de Bill Gates, agora parece ser apadrinhado num sector vital para a economia portuguesa pelo grupo do Norte – “Sonae.com”! Paulo Azevedo provavelmente que fundirá a TMN com a OPTIMUS ampliando o número de clientes, fazendo concorrência à VODAFONE bem como, aglutinará de modo similar a NOVIS/Clix à ADSL do SAPO e projectará a Smartv, um sonho ainda irrealizado. Passará a controlar o cabo e a rede fixa nacional e propõe-se vender os 50% da “VIVO” no Brasil talvez à parceira TELEFONICA com quem até ao momento a PT detém uma “joint-venture”. A TELEFONICA espanhola está neste momento debilitada para contrapor com uma OPA concorrente porque adquiriu recentemente a O2 britânica e o BES de Ricardo Salgado (Accionista da PT como é a CGD) já veio a terreiro dizer que não constituirá uma OPA rival. Claro que a PT poderia mover uma “Contra-OPA” à SONAE mas, não vejo uma administração específica do sector das Telecomunicações a administrar ramos muito variados como acontece com as empresas de Belmiro. Esta linguagem de OPA aqui e OPA ali lembra-me aquelas “Opas” das procissões religiosas católicas assim como, aqueles grupos de devotos pertencentes à “OPUS DEI”. Ainda me lembra a expressão dos friques – “Ó Pá desenmerda-te”! Em qualquer dos casos, as cerimónias e os segredos estão bem guardados. Quanto ao desfecho desta OPA financeira no mercado de capitais ainda agora está a começar o seu romance. Ver-se-á se a PT implodirá por dentro, sendo reconfigurada pelos “opantes” (Eu diria opados para significar opulentos tubarões do mercado, sobretudo conquistando um segmento importante como é o das Telecomunicações, já que os hipermercados e os contraplacados são de valor reconhecido na SONAE). Não sei se a Autoridade da Concorrência anuirá nos argumentos propostos pelos opantes e se a Assembleia-geral de accionistas da PT deixará a empresa cair em cascata às mãos falcoeiras da Sonae. O governo reserva-se silenciosamente, pronto a fazer “jogo de cintura” para alienar a sua parte e entregá-la possivelmente ao empresário de Marco de Canaveses. Hoje em dia, o capital não tem dono mas, impressiona-me e preocupa-me que a formatação de uma nova PT venha a passar para as mãos espanholas do Banco Santander (Maior Banco da Europa), o mesmo já sucedera no passado com Champallimaud. Neste momento, a agitação na Bolsa é grande e as acções da PT já foram valorizadas. Este abanão fez despertar o índice PSI na Euronext Lisbon dando alento ou esperança à economia portuguesa. É um sinal de confiança referido pelos economistas! Talvez seja um bom paliativo face às agruras actuais do desemprego e do défice português, num momento crítico em que o Governador do Banco de Portugal – Vítor Constâncio vem a cena dizer que a retoma só acontecerá daqui a 2-3 anos e o fecho de empresas como a “RHODES” em Pinhel deixam na rua mais desempregados. Belmiro, seu filho e Ângelo Paupério (Director Executivo) são suficientemente inteligentes e hábeis para concretizar negócios curiosamente com os governos socialistas. Recordo o negócio do futuro Complexo Turístico de Tróia já aprovado pelo actual governo (Lembra-se das implosões de Tróia?). Se estrategicamente o grupo Sonae quer gerir melhor os recursos humanos e financeiros da PT, gerar “cash flow” em Portugal e facilitar a concorrência tudo isso, será bom para todos nós! Pelo contrário, se não permitir a concorrência e formar monopólio, o consumidor sairá a perder. Neste momento já existem accionistas a desfrutar ganhos de milhões de Euros – Patrick de Barros (34,5 Milhões) e Luís Silva da CINVESTE (43,6 Milhões). Estes mirabolantes negócios de empresários tubarões deixam-me dopado e não é com “nandrolonas” mas, com “Euromilhonas”! Está aberto assim, o “Campeonato dos Grandes Negócios” a “Champions” dos ricos e a “AR Telecom” e o BCP perfilam-se como interessados na corrida ao Título. Por tudo aquilo que já foi descrito, a minha alma pasma perante os fabulosos lucros dos Bancos e dalguns empresários em época de tanta crise económica nacional (Mas, crise só para os mesmos!!!). Contenção nos bolsos de muitos não se compadece com a riqueza nas carteiras de alguns! Recordo o patrão da SONAE a dirimir ideias contra a Função Pública e em especial contra os professores, já que Belmiro achará que todos estarão ricos como ele! É nestes exemplos que vemos para onde vai o dinheiro dos salários dos portugueses que não crescem e que ficam sujeitos para mais, a congelamentos continuados!!! Meus caros estou “opado”!!! Tenho vergonha de Portugal ser apenas um belo país para alguns senhores porque o bem-estar da maioria ainda não se democratizou!!! Vocês e eu contámos cêntimos e valemos pouco, alguns distintos financeiros contam milhões de Euros e valem a manipuladora Engenharia Financeira, o Lobbie e as “papaias” que dizem com arrogância na Televisão e nos jornais! Magoa-me a falta de respeito destes senhores tubarões pelo peixe miudinho. Só o “peixe-piloto” rapa os restinhos deixados por estes mortíferos predadores. E entenda-se que os “peixes-piloto” são os quadros que trabalham para as suas empresas. Não me admira que os trabalhadores da PT tenham medo da exploração do Sr. Sonae. Essa é a mais pura diferença! Meus caros, o meu dinheiro não consegue parir algo mais, contudo o vosso dinheiro é igual. Claro, você diz que não se reproduz e que ele é macho! Com o que ouvimos pela Comunicação Social, tenho ou não razão para dizer que estou opado?! Se tens pouco na carteira e pagas mais, dopa-te meu!!! Se o preço dos bens e dos serviços sobem e tu não consegues comprá-los, dopa-te meu!!! Se os combustíveis estão mais caros a cada dia que passa, dopa-te meu!!! De d (opagem) em d (opagem) ficaremos bem anestesiados! Olha, ouve o fado corridinho, discute fanaticamente futebol nos célebres estádios que temos e com orgasmos múltiplos e reza, reza muito com velinhas acesas na mão e circula de joelhos em redor do santuário de Fátima (Qualquer dia até é gerido pela Santa Sé). Faz como o bruxo de Fafe vai ao Santuário do Sameiro (Braga) pedir pelo teu clube ou como fazem muitos Felgueirenses, vão de autocarro a Fátima pedir por outra Fátima e mais dinheiro no bolso, não é assim?! Qualquer dia, o povo fará uma OPA-OPI (Oferta Pública Analfabeta e/ou Oferta Pública Ignorante)! Eu ficarei por um Cartoom – Lurdinhas da Educação a distribuir preservativos pelas escolas, uma OPA escolar – Oferta de Preservativos a Alunos! Ó Pá que bom!!! Bué, baril e não “chibes” ao velho! E canta melodiosamente OPA-OPI, OPI-OPA…atenção repete isso, muitas vezes! Alguns alunos sabem mais que os pais ou os avós! Não gozem com os portugueses, tenham mais respeitinho!!! Andámos a pôr estribos a bestas ou quê?! Estribámos limites, quando muitos sabem mais que a Lúcia. Pronto, estou mais uma vez opado!


Andróide Contra – (d)opado!

Publicado por Paulo Dias em 06:58 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 08, 2006

Cartoons Satânicos

Pretendo que este blog seja um ataque cerrado à intolerância e ao etnocentrismo cultural. Não quero enveredar pelo discurso evasivo mas, analisar a frio as exaltações de fúria de certas populações, sobretudo em países onde não há liberdade de expressão e liberdade religiosa, nem respeito pelo valor da mulher como actor social fundamental. As caricaturas editadas por um jornal dinamarquês (Jyylands Posten) eriçaram os ódios adormecidos de muitos radicais islamitas. Aproveitaram a situação infeliz de um jornal (Pois não é assunto oficial de qualquer governo da União) como pretexto incendiário contra o Ocidente. Pelo menos, revelaram com violência a face oculta de como odeiam a Europa rica, aliada habitual dos EUA. Em tempos mais recuados algo parecido sucedera com a obra literária de Salman Rushdie e os seus versículos satânicos, dado que provocaram uma enorme ira contra o escritor, considerado “persona non grata” pelos muçulmanos mais afoitos. Aliás, o próprio escritor foi proibido de entrar em certos países e recaía sobre ele uma pena de morte, uma terrível ameaça à sua integridade e privacidade. No Mundo Livre não tem sentido que o Poder do Estado esteja ligado umbilicalmente à Religião ou a imprensa seja manipulada pelos governos. As manifestações de repúdio e revolta contra as embaixadas da Dinamarca e da Noruega dão-nos um sinal claro de fanatismo religioso, intolerância perante a falta de acuidade de um cartoonista (Lars Refn). É evidente que não foi curial ou prudente colocar o profeta Maomet com uma bomba na cabeça, simbolizando a raiz terrorista ou a origem do mal. Porém, um erro de atitude pessoal na imprensa livre, não apaga as considerações generalistas e oportunistas dos extremistas que se aproveitam destas situações para declararem a “Jihad” aos infiéis “cruzados” que até maltratam o seu ídolo religioso. Na maioria destes países muçulmanos, o islamismo político não se distingue do islamismo religioso. Nós por cá não temos esse monismo!!! Lembro que há alguns anos atrás foi elaborado um cartoon mostrando um preservativo no nariz do Papa João Paulo ll. A Igreja não degustou bem o sucedido mas, isso não implicou que se extremassem posições contra os mentores de tal gesto. Era um gesto crítico contra a proibição da Igreja relativamente à contracepção e a todo o conservadorismo ainda actual. Ora, a maioria dos países europeus são livres e o cultivo do sentido crítico é sempre uma referência. Países como a Síria, o Líbano ou o Irão não são bons exemplos para ninguém. Há uma clara propaganda de contaminação ou intoxicação destes povos, dignos na sua não-aceitação quanto a uma religiosidade que se sentiu ferida, porém demasiado desproporcional nas reacções e na instrumentalização operada por regimes ditatoriais. Sobre os dois primeiros recaem enormes façanhas de actos terroristas, perseguições a jornalistas, censura e tortura, direitos humanos constantemente violados e sobre o Irão está acesa a discussão sobre o seu futuro programa nuclear. É um sonho deste país dos Xãs e dos Ayatollahs uma paridade nuclear com Israel para futuramente e se possível, atacar os judeus. Nota-se que todos estes países islâmicos têm manifestado ódio, uma repulsa incomensurável aos europeus e aos americanos, inclusive o Presidente do Irão chamou recentemente “idiotas” aos vários líderes ocidentais. Ali perto, nesta área do Globo apelidada de Médio Oriente, estão múltiplos focos de tensão que se agudizam no dia-a-dia. A Palestina é um paradigma da tensão que escolheu livremente o movimento “Hamas” que não aceita a existência do Estado de Israel, negando mesmo o genocídio judeu durante a Segunda Guerra Mundial; as Guerras do Iraque e do Afeganistão são também “panelas de pressão”; a instabilidade do periclitante e militar Estado do Paquistão; os regimes feudais, monolíticos e autocratas da Arábia Saudita, bem como dos sultanatos de Oman e Bahrein ou dos fechados regimes dos Iémenes. Viveiros de atrocidades pululam por estes países. Não é inocente que Bruxelas queira apostar mais na energia nuclear para fazer baixar a dependência petrolífera relativamente ao Médio Oriente ou o Presidente dos EUA no célebre discurso da nação tenha evocado a menor dependência energética do seu país. Adivinham-se “choques petrolíferos” que podem levar o barril aos 100 dólares. Esta simulação já foi feita pelo G7 e na Cimeira de Davos. E o verdadeiro cartoon satânico deste mundo desigual é a crise dos pobres, a multidependência do Terceiro Mundo, o comércio injusto, a agonia dos produtores e as crescentes desigualdades sociais. As próprias vagas de migrantes disseminadas pelo mundo inteiro podem trazer sérios problemas aos países receptores e esse é outro cartoon demoníaco. Uma cidadania planetária com equilíbrio de direitos e deveres ainda não é uma realidade. A globalização a este nível tem falhado! Lembro que há pouco tempo tinha mostrado um cartoon a miúdos de dezoito anos, em que um sujeito africano do Sudão (País muçulmano e com focos de extremismo), aparecia cadavérico com um prato vazio na mão, tendo como cenário de fundo, armas e mais armas! Ora, eu não estava a brincar com a pobreza pelo facto de ter utilizado um cartoon daquele género. Claro que eu respeito esses seres humanos maltratados! Quantas vezes se contam anedotas de padres, freiras ou até utilizámos em vão ou não, o profeta Jesus Cristo. Não significa que não tenhamos respeito e admiração pelo cristianismo ou pelos sacerdotes. Também não posso admitir que outros povos sejam considerados com desdém menos civilizados ou menos capazes. As culturas são distintas e devemos respeitar a religião, a cultura e a história dos povos. Não podemos pensar que somos melhores que os Orientais ou o Mundo Muçulmano, afirmando que a nossa cultura é a melhor de todas e os outros são bárbaros ou singelamente uma “cambada” de “metecos” insignificantes! Respeitar o outro ou as suas diferenças é bom para toda a Humanidade! O diálogo intercultural, a solidariedade e a partilha de conhecimentos deve ser uma aposta das nações para não haver constrangimentos de mentalidades ou de civilizações. As diplomacias devem ser astutas e as populações não devem confundir os cidadãos e os respectivos governos ou a árvore com a floresta. Não é bom escutar por certos movimentos de cariz islâmico que os países onde se publicaram os cartoons do profeta serão alvos preferenciais de actos de retaliação. Assim países como França, Alemanha, Aústria, Espanha, Holanda, Noruega entre outros, que são países livres, democráticos e laicos, estão ameaçados. A Teologia, a Economia e a Política nestes países tal como em Portugal são entidades independentes. Estados Teológicos e Proto-Democracias não entendem o sentido da imprensa livre (Certo que deve haver limites para não ferir susceptibilidades) e eu não entendo a razão do cartoonista para o momento actual da edição, dado que as relações internacionais estão há alguns anos envenenadas. Certamente que ele não acharia piada se utilizasse no seu cartoon o pai ou a mãe como bombistas. Urge prudência e bom-senso para não acirrar mais as sementes do ódio, espezinhando os valores de outras culturas. Não é bonito queimar as bandeiras dos países escandinavos, nem usá-las como tapetes mas, também não auguro como sendo favorável, voltar as costas a estes países demasiado carentes. As diplomacias deverão discutir à mesa todos os problemas, exigindo respeito aos seus cidadãos. É estúpido incendiar embaixadas, destruir bens de outros povos, porque a insegurança revela cegueira política e religiosa. Como foi estúpido o regime taliban de cariz muçulmano ter destruído as célebres Estátuas Budistas ou os chineses terem dirimido argumentos para destruir a cultura dos “lamas” no Tibete. Com tolerância e equilíbrio mental me despeço, usando a imagem do cartoon que eu representaria se fosse mestre do desenho. E qual seria? Ora, seria o “Bit Gaitas”, o famoso “soft” que passou no nosso rectângulo abençoado e que ganha 2500 euros por segundo (Poça, ele dá dois traques informáticos e ganha 5000 Euros, isso é uma boa caricatura), assinando “resmas” de protocolos com os gnomos servis do Plano Tecnológico! O menino Zézito (Sócras para a populaça) com um vírus Trajano (Cavalo de Tróia) punha-o num “penico” a puxar pelo sucesso desta porcaria. Era uma grande “Fezada”! O “Gago” a puxar pelo “MIT” para as nossas bandas ou pelas nossas “bundas”. Quanto ao “Pretinho” da Administração, colocava-o a dar formação aos polícias que perseguem os colegas de “baixa” e instrução aos “GNR” que irão apagar fogos florestais! A “Lulu” da Educação, a “minha paixão sopiada” colocava-a numa “aula de substituição” a dar Educação Sexual ou na “Banda Larga” para chegar mais depressa ao Purgatório. Para mim, ela é um verdadeiro tição, um engate mecânico ou seja, um “amor tece dores”!!! Bem precisaria de amortecedores para dar umas voltas ao “Bilhar Grande”! É a minha profeta da felicidade e chamar-lhe-ia “Alforreca”, a destemida do “Al Coirão”! Espero que nenhum muçulmano pense que eu estou a insultá-lo ou a denegrir os preceitos da sua fé! Ora, descansem que eu respeito-vos, não comi carne impura de “xico” das lavaduras, nem bebi qualquer ganázio tingido de borras! Não sou abstémio mas, estou em dieta! Faço um “Ramadão” à moda da Capadócia”! Oh mano Metralha, não disse uma valente “Ramada”!!! Limpa lá o teu cerume com bons cotonetes! Ora, aí vai a minha faceta multicultural ao estilo do “melting pot”, um pregão lancinante de contestação à estupidez fanática ou um grito de ordem:
- Vivam todos os profetas da Boa Nova, da Paz ou da Flor de Lótus!
Sejam fanáticos do sexo, bombistas (Homens e Mulheres-Bomba) do leito amoroso, explosivos no Éden dos colchões, potentes (Sem Viagra e sem Viagreta!) por se consolarem com a doçura das vossas ogivas hormonais, a homeostase das vossas químicas! Lembro aquele fanático que na Irlanda queria matar um católico e encontrou numa rua de Belfast um sujeito estranho e questionou-o com veemência e avidez do momento – Oh meu, tu aí de sacola pelas costas, és protestante ou católico? Ao que ele respondeu simplesmente – Sou Ateu! O planeado agressor verborreico e baralhado reclamou a falta de entendimento e insistiu com outra questão:
-Ateu católico ou ateu protestante?!
Ora, tudo parece ser a preto e branco ou do género –“Por nós ou contra nós!”. Não há mais cores na paleta? Não se formam arco-íris nas pantalhas celestiais? Não há mais mundo para além da religião? Então, não queiram uma relação biunívoca e redutora do tipo –“A religião é o ópio do povo e o povo pode ser o ópio de uma religião!”. Há muitas nuances e identidades próprias meus amigos!!! Eu já não me desiludo com este mundo cruel e ingrato! Para terminar este sermão de S.António aos peixinhos – Sabem o que diz um tubarão a uma tubaroa?! – Tu baralhas-me!


Andróide no Maravilhoso Mundo do Cartoon!

Publicado por Paulo Dias em 12:04 AM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 01, 2006

Os Pigmeus Bakas

África é um continente deprimido, abandonado à sua sorte e sujeito à boa vontade de pessoas como Bono Vox, Angeline Jolie, Brad Pitt, Sting, Bob Geldof entre outros. Ser homem em África é um ritual muito duro e ter alimentos é tarefa muito árdua. Existem nitidamente dois mundos de vivências neste quarto mundo, o mundo da criança que morre cedo e o mundo do adulto que se torna homem ou mulher antes do tempo. Na Republica Central Africana vivem povos ainda remotos, com rituais seculares, eternizados pela floresta e esquecidos pelo homem global, sobretudo quando se fala da etnia Baka! Esta etnia vive nos subúrbios da floresta tropical, periferia de uma selva densa e exuberante que os resguarda do mundo capitalista e tecnológico de muitas regiões da Terra. São sobretudo caçadores e recolectores de mel! Quando a chuva convectiva dá tréguas, os Bakas partem para a floresta e as suas mulheres entoam cânticos selváticos – os “jodles”. Os “baixinhos” procuram o elixir da vida que é o mel, uma necessidade alimentar e um antibiótico para combater muitas maleitas. Procuram a partir de ensinamentos ancestrais a “Kuma” isto é, colmeias de abelhas que não piquem ou molestem os recolectores de favos embutidos nas enormes epífitas. Fazem fogo que permite “fumar” as abelhas e assim anestesiá-las de qualquer ataque pernicioso ou hostil. O fogo é feito com o “yangi”, folhas clorofilinas que inflamam facilmente. Os pigmeus sobem árvores de 30metros a 40metros de altura com uma destreza incrível. Fazem-no com cordas de lianas, aquilo que eles apelidam de “Yurda” e trepam melhor que alguns saguis. Num labirinto verde musgo, suspensos entre o céu e a terra, os Bakas escavacam com utensílios rudimentares troncos de árvores para recolher o precioso néctar da vida! Cada família tem o seu recolector e normalmente as mulheres cantam ao espírito da floresta para proteger o ganha-pão da palhota. Existem ritos de purificação para protecção dos entes queridos, “trapezistas sem rede”, indivíduos muitas vezes empoleirados, o que exige habilidade, força e coragem. Depois, há sempre o receio de surpresa numa floresta, onde o sol quase não se vê e os animais competem astutamente sem a valoração do bem e do mal concebido pelo homem. Os jovens treinam-se na caça de antílopes, as mulheres fazem as lides da palhota, enquanto os adultos, para além do mel, dão lições aos mais novos que têm rápidas aspirações a adultos. Os pigmeus noviços são socializados na necessidade de sobrevivência muito precocemente. Aprendem o grito do antílope, o rugido do leão ou o brunido do elefante. Os antílopes são sujeitos a ciladas programadas pelos Baka e a sua carne é o alimento básico da aldeia pigmeia. O ritual que os torna adultos passa por uma emboscada feita ao pesado elefante. O jovem entroniza-se como experiente e adulto, lançando uma lança no estômago do probíscidio. Apanha-lhe o flanco e crava a lança aguçada com engenho no enorme corpo do animal. Num vozeirão tremendo, o elefante cai e ao fim dalgum tempo sucumbe. A carne de elefante, um supremo alimento dalguns festins, é distribuída pelo jovem macho, aspirante a adulto, por toda a aldeia Baka. É uma forma de reconhecimento e estatuto adquirido. E deste modo, passa o teste da força e fica sujeito ao último teste que é o da destreza. Então subirá, de seguida, a uma árvore para recolher o mel e distribui-lo por uma amada, a possível mulher com quem terá filhos pigmeuzinhos e esta, sendo solteira é obrigada a aceitar o convite do guerreiro. O ritual do casamento é festa para toda a aldeia. Normalmente a “lua-de-mel” é a passagem pelo pântano salgado e o amor acontece ao ar livre num cântico natural de hienas e cobras. Na Republica Central Africana, onde o tempo raramente passa, não se distinguindo a hora do segundo, ou o dia do ano, o poder dos Bakas é masculino, não havendo reivindicações femininas. Aliás, os homens em certas alturas do ano chicoteiam as suas mulheres como sinal de devoção e amor. Não há divórcios, quanto maior é a cicatriz do dorso ou no “presunto” a sangrar, maior é o sucesso da fêmea e maior é a sua beleza. Numa sociedade patriarcal de tipo tribal, a mulher recebe apenas todos os ditames do clã, sobretudo das suas mães e mães das suas mães. Não há escola institucional apenas, a escola da vida! Aprender passa pelo conhecimento vivo da savana e da floresta, das plantas e dos animais, do fogo e da mandioca e dos rituais que passam de geração em geração! Não há relógio, o sol e a lua controlam diariamente as funções de subsistência. O lazer é o prazer do banho epitelial nos ribeiros e rios que circundam galerias florestais. Não sofrem de stress, o trabalho acontece naturalmente, não há horário rígido e não se pedem férias. Não carecem de “neuróbica” para agilizar o conhecimento ou os processos cognitivos de miúdos difíceis de tenra idade ou idosos que ficam lentos e menos reflexivos com o avançar da idade. Os neurónios trabalham ininterruptamente durante o tempo de vida porque não há pausas para pensar o passado. Vive-se o presente e muito depressa porque a expectativa de vida é curta, os alimentos por vezes escasseiam, as doenças são mortíferas, só a malária e a tuberculose dizimam muitos rapidamente. Se algum infectado surgir numa aldeia Baka, o efeito multiplicador da morte acelera-se epidemicamente sem os meios eficazes de combate. O recurso ao espírita curandeiro não acalma o desaparecimento de muitos guerreiros enfermos pois, poucos são os que conhecem de Medicina Tropical. A escassez de água potável é muito habitual e potenciador de enfermidades. O consumo de líquidos faz-se com a água de muita folhagem, que é a bebida preferida. Não há bêbados porque não conhecem o álcool! Baco não chegou à savana, nem à floresta! Não sabem o que é política, nem discutem jogos de futebol! Conhecem o maior antílope africano, o “Gunga”; as planícies de erva, matagais ou “Nyika” que toma o nome do actual Presidente dos EUA –“bush” mas, não esse tal bicho político Bush, conhecem alguns relevos residuais na savana, os “Kopjes” e nalguns casos, as termiteiras ou seja, montes de areia que parecem monumentos construídos pelas térmitas. Estas termiteiras podem ter 4m a 5m de altura. Para os Bakas, as formigas caçadoras são as curiais rivais desportivas pois, estas podem destruir muitas árvores, especialmente baobá. Os pigmeus apenas se assemelham às formigas devoradoras, nas colónias que constroem e na transferência de alimento boca a boca (Trofalaxia), dado que os “baixinhos” também servem as suas crianças boca a boca. Mas, funcionam de modo inverso ao “rei da floresta”. O pigmeu caça de dia e trata do território de pertença durante a noite ao passo que, o leão caça de noite e dorme de dia, sendo um valente preguiçoso e um habitual “vadio noctívago”. O pigmeu conhece trilhos e marcas naturais, o leão urina em variados locais para marcar o território de pertença. Mas, nalguma caça selectiva até parecem análogos! Tanto os pigmeus como os leões matam as presas pela barriga, aproveitando os sucos intestinais ou gástricos das vítimas e posteriormente arrastam as carcaças para as respectivas proles. Para mim, os Bakas são património mundial, seres humanos sui generis que merecem ser preservados como os “Nambiqwaras”, os Yanomannis e os Xingús da Amazónia ou os Bosquímanes da Namíbia (Observados no célebre filme os “Deuses devem estar loucos”). Espero que a nova democracia (Desde 1993) da República do Centro-Africana, após anos sangrentos do regime ditatorial do imperador Bokassa e militaristas de Dacko e Kolingba, não extermine os exóticos “baixinhos” que já são mesmo poucos, uma vez que as etnias Baya e Banda são maioritárias na antiga colónia francesa, cuja capital é Bangui. Curiosamente, um dos principais rios do Centro de África é o Ubangui que delimita esta nação pobre relativamente à República Democrática do Congo, constituindo uma “auto-estrada” para o mar, num país do interior africano. É no Norte que a savana se estende e é a sul e a oeste (No sentido dos Camarões) que a floresta é interrompida pelos principais burgos urbanos. Os Bakas são ímpares e sob o ponto de vista antropológico e científico merecem o epíteto de guardiões do desenvolvimento sustentável. Não desperdiçam recursos naturais como o homem moderno, dito civilizado! Ora, vamos lá pensar nisso!!! Protejam as minorias e sobretudo os Bakas!!! Agilizem o intelecto por boas causas, alimentem-no de Paz, Amor e Esperança.


Andróide Explorador!

Publicado por Paulo Dias em 05:36 PM | Comentários (1) | TrackBack