janeiro 30, 2006

"Ganda Pica"!

Utilizo pela primeira vez esta expressão e ouvi-a de uma miúda “teenager” inconsciente, que manifestava um esperanto infinitamente grande, perante um amigo que estava a funcionar mal. Ela queria dizer que um colega seu “picava-se”! Ora, eu fiz uma extrapolação mais ou menos análoga, reparando que no mundo actual há muitos governantes que parecem “picar-se”, deixando populações à beira de ataques de nervos. Mas, eu não sou em matéria de política internacional um aficionado porém, constato factos e relaciono-os com alguma facilidade, pensando aventar comentários genuínos feitos por mim, apesar de me considerar um apedeuta ideológico. Tenho observado vários psicopatas imbuídos de poderes superiores, criando problemas nacionais e internacionais. Assim, o primeiro energúmeno mundial que eu sinto que tem tergiversado a comunidade internacional é o Sr. W, obviamente o Bush Júnior. Ele é o mentor de um neocriacionismo à maneira texana, empunhando uma pistola “dólarenta” na mão à entrada do que considero ser o “saloon das nações” e com a outra mão pede a Deus protecção da América por causa do “eixo do mal” que ele nomeou. Pegou nalguns países que ele considerou párias e catalogou-os sem o mínimo cuidado ao nível das relações internacionais e das suas consequências. Este Sr. W acredita que Deus é um novo designer do mundo global e que ele é um enviado extraterrestre para salvar os americanos e os seus “mormos” ou pasmões aliados. Constata-se uma certa paralisia americana perante este psicopata das “escutas telefónicas”, um “fora da lei” internacional e das Convenções de Genebra, quanto à justiça praticada em Guántanamo, ou mesmo um misterioso labéu secreto das deslocalizações da tortura praticadas pela CIA, possivelmente em território europeu. Não obstante, este “yankee” é gozado por um pretenso “Bin Laden” morto ou ressuscitado que emite mensagens de tréguas, se os americanos retirarem claramente as suas tropas do Iraque e do Afeganistão. Ora, se o maior terrorista planetário ainda pertence ao “mundo dos vivos” ou dos “exotéricos das cavernas dos “Filinstones”, por que razão o GPS americano ainda não o detectou? Dá vontade de dizer que os terroristas têm mais “pica” que os satélites e as tecnologias da hiperpotência senhorial e imperial!!! Outro facínora dos catres é o chefe de governo iraniano. Este persa dopa-se com amianto, urânio enriquecido, plutónio, vinho Rosé português ou algo esquisito. Continua com o seu discurso radical anti-semita e ameaça baixar a produção petrolífera, além de ter retirado as divisas petro-persas da banca europeia. Tudo aponta para que o Irão venha a ser uma futura potência nuclear e os grandes fornecedores de material nuclear são a China e a Rússia. Deixemo-nos de ingenuidades e ilusões infundadas! Como é que Reino Unido, França e Alemanha negoceiam o Programa Nuclear do Irão com estes “mastodontes” Ayatollahs (Mais parecem - Ai, as Tolas!), sem escutar a China, a Rússia ou mesmo, os EUA? A ausência americana nas negociações, preferindo uma estranha rectaguarda nesta situação, face a tanto do que tem apregoado, não é normal. Sabe-se que no caso do Programa Nuclear da Coreia do Norte negoceia com a China, o Japão, a Rússia e com as duas Coreias (Negociações a seis!). O que me parece óbvio é que os três países europeus no caso iraniano se manifestam actualmente como reais “impotências”! É caricato o conjunto de exigências pedidas ao Irão, quando Israel, Paquistão, Índia e China são potências nucleares, sem que ninguém tenha discutido os seus programas. E se pensarmos que o meliante Sr. Chi – o Monsieur Chirac, com uma “pica” medonha, mostra alucinações esquizofrénicas, pois o que disse ultimamente, é deveras perturbador! O Sr. Chi não disse recentemente que utilizaria armas nucleares, se os terroristas ameaçassem o seu território. Quem o ameaça? É outro criacionista divino, tão pungente quanto o governante persa ou o pistoleiro Sr. W. É incompreensível que existam dois pesos e duas medidas a nível internacional, consoante as conveniências. A administração americana é exemplo disso! Sabe-se que o Paquistão é um nicho de fundamentalismos e detém armas nucleares, no entanto o Sr. W continua a apoiar o Sr. Musha – Musharaff, enfim um regime ditatorial teológico porque consegue fazer acordos consigo!!! Por outro lado, Afeganistão e Paquistão alimentam o negócio de armas à custa da droga (Heroína e ópio) tal como na América do Sul, a Colômbia (Com a Cocaína). Como é que os americanos poderão ser credíveis com atitudes dúbias. Ora, os “trauliteiros” dos “gringos” devem ter muitas “forças ocultas” que os mais sérios líderes desconhecem. Além das façanhas dos eminentes psicopatas que governam as nações, surge o surpreendente amigo britânico com uma grande “pica” esfusiante. Então, quatro diplomatas de Sua Majestade faziam com uma pedrinha secreta espionagem na Rússia. Isto constitui um “entorse” histórico, pois ridículos governantes tal como o Sr. Tony, por falta de um paradigma viável, ainda pensam que estão no tempo da “guerra-fria”! Não que o Sr. Puto, um tal “Gásputin” não mereça, porque ainda actua como se fosse o antigo líder do KGB na antiga U.R.S.S. Empastelou com alguma “revanche” o gás que passava pela Ucrânia com destino ao centro da Europa, além dos desentendimentos energéticos com a Geórgia. Em Itália, temos o energúmeno Sr. Borlista, digo Berlusconi com a anuência ao ataque americano no Iraque, posteriormente passou a dizer que tentou demover os EUA pois, sabia que não existiam armas de destruição maciça. É um patusco mentiroso e claro um manipulador mediático! Quanto às eleições na Palestina dá vontade de exclamar – “Ganda Pica”! O “Hamas” considerado um movimento terrorista por americanos e europeus ganha as eleições, baralhando mais o processo de Paz para a região e decalcando uma relação não amistosa com Israel porque não reconhece este estado. A prova de que estes palestinianos se passam dos “carretos” reside nos confrontos após a divulgação dos resultados. Agora, passemos ao rescaldo das nossas eleições presidenciais de 22 de Janeiro do ano 2006 da Boa Graça. A votação foi de uma enorme “pica” colectiva! Gostei de saber que o “Comunistão”, falo do Alentejo e sobretudo do distrito de Setúbal deram vitórias mais ou menos expressivas ao “Acabado”, claro ao Sr. Silva. Mas, o Sr. Silva venceu em toda a linha (Excepto no distrito de Beja), dado que a conjuntura é bastante desfavorável ao governo actual e o povo com uma amnésia cava já tinha esquecido o passado cavaquista. Assalta-me a dignidade pessoal, o esquecimento que a população primou relativamente ao velho Mário, o pai da democracia portuguesa, o principal responsável pela entrada de Portugal na U.E. e aquele que abriu caminho para a chegada de muitos fundos aos gulosos comedores do nosso país. Estranho o enxovalho popular aos soaristas, o futuro responderá se o povo foi ingrato ou se a comunicação social ajudou ou não à festa da sua derrocada. Parece que a memória é curta quanto ao que ele fez por Portugal, embora eu comungue da ideia que ele não é dono disto como se o país fosse uma propriedade sua na Praia dos Tomates. Às vezes, existem triunfos que a longo prazo se transformam em derrotas de populações iludidas e enganadas. Soares não foi a minha preferência mas, merecia mais respeito por “bandalhos” radicais que soltam uns “gases” pelo sítio errado. Noto que o nosso povo saloio levou com “Água do Cu Lavado”!!! E a breve trecho teremos um “Bloco Institucional Central” e duas figuras arrogantes que terão de se aturar e vigiar mutuamente. Equilíbrio político, estabilidade por comodismo existirão de certeza, pois haverá tempo suficiente para Portugal se recompor da crise e daqui a três anos “Acabado” terá preparado um líder diferente do “hammster” que agora lidera o PSD. Ao “choque Tecnológico” tão propalado virá o “Choque Ideológico” e ao Cavaquismo Governativo de uma década sucederá o Cavaquismo Presidencial de outra década. Porquanto, Sócrates terá um excelente aliado na contenção de despesas, salários magros e aperto de cinto dos trabalhadores. Não será beliscado na honra governativa do seu mandato mas, queimará em “lume brando” perante o povo que não lhe perdoará a prazo, as traições que o sacrificam sem uma explicação cabal e correcta, com uma insípida coerência nas atitudes dos governantes, uma vez que há perdões permitidos aos grandes senhores do capital e uma continuidade da evasão fiscal. Portugal continuará a ser um paraíso para os atrofiados que buscam offshores. A má gestão e as injustiças sociais farão certamente mais vítimas e eu não sou um visionário, nem um catastrofista. Ser realista, diz o povo, é ser pessimista, então o Andróide é um pessimista convicto! Tudo começará a cheirar mal, sem nos munirmos de um bom “repelente” de “melgas” parasitárias, que procurarão entre 2007 e 2013 o novo “pote de mel” dos fundos comunitários. Vamos ter muita “trampa”, muitos “projectos” para deglutir os ambicionados dinheiros (Pior que o Assalto à Casa Forte do Tio Patinhas) e não sei se teremos engenho e seriedade para aplicar bem os capitais recebidos (A história da desbaratação de capitais poderá repetir-se!). Os exemplos do passado são conhecidos e espero que tenhamos apreendido com os erros. Mas, como a história se repete e os povos não aprendem, desconfio que mais uma vez, será o nosso povo a sofrer, arcando com as responsabilidades despudoradas dos maus gestores e dos governantes cinzentões que temos. Por agora, anunciam-se grandes investimentos multinacionais como a “Costa Terra” no Litoral Alentejano, promovido por um grupo suíço, a “IKEA” em Ponte de Lima um I.D.E. sueco, a “Advansis” – Petroquímica de parceria turca-inglesa, mais uma Refinaria para Sines de capital luso-americano, uma empresa para pilhas de hidrogénio para Montemor-o-Velho, empreendimento da Malásia e finalmente o capital para formação no Vale do Ave, a cargo dos milionários Bill Gates e Steve Balmer. Ora, entende-se que a estrutura económica portuguesa tem que ser alterada, para fazermos face à competição global. Só alguns segmentos da indústria tradicional (Têxteis, Calçado e Mobiliário) parecem ter êxito parcial porque ainda geram cadeia de valor. Talvez nos atoalhados, alguma lingerie, algum calçado desportivo e certos tipos de móveis por encomenda ainda façam alguma diferença. Mas, percebe-se que não podemos continuar a produzir sem inovar tecnologicamente, sem trabalhadores bem formados e altamente competitivos. Também os métodos de gestão empresarial terão de ser revistos! Temos poucas empresas multinacionais a singrar no mercado externo, onde destacaria por exemplo a SONAE, a PT e a CIMPOR. Economia e política à parte, ou corrigimos os nossos erros ou tornámo-nos uns “monos” da Europa! Até lá divirta-se, curta o futuro com uma “ganda pica” e cante o fado atrevido do Faduncho – “Sr. Marocas, o seu gato deu 25 pirocadas na bunda do meu!”. Não se esqueça que os políticos deste mundo têm uma “pica” maior que a sua!

Andróide “passado” com muita Adrenalina!

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janeiro 25, 2006

Na Borda da Água

Recordo nesta crónica, os pescadores da minha terra natal, os sacrifícios e as tragédias vividas no quotidiano. Além disso, farei comparações legítimas com os nómadas originários de Vieira de Leiria que migraram para a região da Lezíria Ribatejana. O mesmo sucedeu à maioria dos pescadores de Esposende, que durante muitos anos pescaram com as suas traineiras, nas águas próximas dos “Cavalos de Fão” (Penedos que são quartzitos do Skidaviano) e do “Cravo” (Alinhamentos da Orogenia Hercínica). Lembro a entrada das embarcações no estuário do Cávado, as suas dificuldades constantes devido ao assoreamento da barra e as migrações das últimas duas décadas para Vila Nova de Milfontes, Vila do Bispo e Sagres. Há trinta anos, fazendo um retrato possivelmente fidedigno da época, centenas de homens deslocavam-se para os recifes das polveiras para pescar sardinha, badejo, pescada, congro, polvos, carapau, chicharro, ruivo etc. Estes “lobos do mar” perderam as suas raízes originais e migraram para o sul do país, para portos mais seguros e mais rentáveis. Muitas artes da época perderam-se e muitos “tresmalhos” ficaram abandonados na Ribeira, junto ao “Salva-Vidas” (Edifício da Marinha, pertencente ao I.S.N. – Instituto de Socorro a Náufragos) e a uma lota que já desapareceu. O último naufrágio mortal foi a traineira do “Mouco” que virou na “pancada do mar”. Já lá vai muito tempo, mas ainda lembro as ondas revoltas de um mar encapelado, engolindo os filhos da terra e um raro sobrevivente de múltiplos acidentes marítimos, o “Morre ao Sol”! Foram imensas as lágrimas que nunca foram estancadas pelos familiares, pois o desassoreamento da barra fora sempre prometido por sucessivos governos e de forma secular, sem nunca se ter movido uma “palha” para realizar qualquer obra hidráulica de benefício! Em Esposende, como nos portos marítimos vizinhos da Póvoa, Vila do Conde ou Viana do Castelo, os pescadores têm as suas siglas, as suas marcas típicas, o modus operandi de quem sente a amargura de uma vida dura. Quando o peixe chegava à lota, este era regateado pelas mulheres e muitas vezes, as varinas cantavam “quem dá uma, duas, três…está vendido à Maria da Fanada por cem paus!”. Algumas mulheres pegavam-se por dizer que tinham regateado primeiro. A “Naça”, a “Churra”, a “Pecá”, a “Graça da Pequeninha”, a “Setenta” e a “Boca à Banda” rivalizavam situações dúbias. O “Suga” ficava tonto com tanto vozeirão encrespado! Era típica a linguagem e os “dizeres” populares, hoje diziam alguns –“Só tremelgas”, “o mar não deu” ou “apareceu muito peixe foda”. Lembro a minha mãe a comprar buzinas para um acepipe, que guardo com saudade na minha memória. Perpassa ainda pelas minhas vivências de outrora, a variedade de peixe que era rematado – linguados, peixe-rosa, maragotas, cações, marmotas, viuvinhas, solhas, peixe-sapo, cavalas, potas etc. Porém, os pescadores que eu conheci, fugiram para outras paragens e nesta terra de tradição marítima come-se actualmente mais carne que peixe! Na terra do “Patrão Rabumba” ficaram alguns sobreviventes, enfim meros resistentes à debandada geral! Estes pescam sazonalmente lampreia e enguia branca (Meixão) no rio Cávado e aventuram-se “of shore” na plataforma continental, quando o mar está calmo. Os outros nunca mais se viram por cá! E destes, recordo o “Baptista da Galga”, um homem moreno e de força hercúlea; “Zé Colhão”, um rebelde do bairro das casas pobres (Casas do Padre Américo) que era sobrinho do “Ilhoca”; Rabo de Xico, um armador; os “Beiçudos” do “Pai Tirano”; os “Miquelinos” que pela manhã comiam “sopas de burro cansado”; o “Cabeludo”, curiosamente não havia mais careca do que ele na terra, o Tonó e o “fado” ao seu “Belenenses”, o “João Careca” – Homem descabelado e de barriga inchada; o “Pirata” – Homem que colhia isca (poliqueta) nas vazas lodosas do rio durante a maré baixa, João Pequeno, os Libanos, O Coxo, o Ti Abílio Calica, pescador e bombeiro dedicado, o ancião Talhó de rosto ensalitrado e taciturno, com pernas varicosas, os Paquetes, o Zé Bêbado e o “Saganito” – O Velho Teão, entre tantos que o tempo deixou na penumbra. Naquele tempo, muitas cordas surgiam num emaranhado de paus aprumados, onde se coravam as roupas na ribeira e junto ao cais, as mulheres lavavam todo o estendal nas águas correntes ainda límpidas. A miudagem fazia mergulho de cima do paredão, alguns mais corajosos nadavam até às escadinhas para espreitar os “tremoços da Tia Rita que estavam a curar e podiam ser desviados por alguns moços de mãos mais leves. Via-se o fundo do rio, era tal a transparência das águas que se viam mujos, robalos, barbos, enguias etc. Como eu hoje, sinto tanta saudade, desse tempo pré-industrial! Mas, a “seta do tempo” é cruel e devolve-me imagens de uma vida áspera que Raul Brandão relatou sobre a fealdade das botas grandes e das redes dos pescadores. Homens de barba rija, por desfazer, que madrugavam com o frio e lutavam contra as tempestades para dar de comer às famílias. Crianças ranhosas que requeriam cuidado maternal choravam sozinhas e as suas mães ansiosas esperavam o regresso dos seus homens junto ao cais. Uma vida espevitada pela necessidade, sempre a esmifrar algo, sobretudo uma luta sagaz pela sobrevivência. As gaivotas piavam como se sentissem a dor dos navegantes. Em terra –“On Shore”, passa pela minha memória, uma senhora chamada Rosinha da Arranca. Era uma peixeira matrona e de cabelo grisalho, vendia o pescado, dizendo às senhoras que “era peixe do nosso mar”. Algumas senhoras finas cheiravam para saber se ele era fresco. Uma certa ocasião, ela respondeu com prontidão – “O que foi minha senhora, o peixe cheira mal?! Não me diga que ele se cagou?!”. Também havia uma “Mariquinhas” e uma “Tona da Galga” com os seus pregões – “Peixe vivinho, a saltar, está a rabear”, “faço-lhe um bom preço”! Lembro ainda os “Sardões”, os filhos do “Xanxo”, com as suas perninhas raquíticas a secar ao sol, desumidificando as frágeis articulações infantis, ancilosadas por uma locomoção atabalhoada ou descoordenada. Ah, também me ocorrem imagens do “Sequilhas” dos “Lagunas”, bebendo óleo de fígado de bacalhau, uma “vitamina” azeda tipo pó fénico que era dada aos garotos, o “Mokas, o Bochechas”, o “Chinela” e o enfezado do “Airinhos” jogando ao “montinho” e as lêndeas no couro cabeludo do “Arrebita” ou do “Pinadeira” da Pazinha! Vem-me também ao pensamento, o Calhetas a comer “punhetas de bacalhau” e o “Fanchê” a comer as espinhas dos “pipis”,“jaquinzinhos” ou “petingas” barrentas! Com estas lembranças, descavernei muitos fragmentos do passado, restos de barcos velhos, histórias antigas e experiências de vida muito rudes. Então, comparei os “lobos-do-mar” aos “avieiros”, recordando outro poeta (Alves Redol) e outra situação trágico-marítima. Os Avieiros foram “ciganos do mar”, oriundos de Vieira de Leiria que vivendo na penúria, cedo migraram para o Vale de Santarém, Azinhaga do Ribatejo, Vila Franca de Xira, Sª Iria da Azóia, Alhandra etc. Procuravam sazonalmente no rio Tejo pescar o sável, uma importante fonte de rendimento. E isto acontecia porque a safra da sardinha no Atlântico era pouco rentável. Muitos acabaram por se fixar definitivamente no Ribatejo e nunca mais voltaram às origens. O Tejo oferecia a sobrevivência e evitava perigos causados pelo mar. Começaram então a construir habitações, sobretudo barracas altas de caniços, para superar as inundações periódicas do rio. Os avieiros construíam os próprios barcos e as próprias redes e as suas esposas dedicavam-se às reparações das artes. Sendo assim, homens e mulheres labutavam do sol nascido até ao sol-posto. Pescavam sável, fataça, enguia, boga e salmão. Após a pesca, a mulher dedicava-se a “marralhar” o preço do peixe que ia vender ao mercado de Salvaterra de Magos. Este cenário preenchido pela memória dos avieiros demonstra a azáfama que existiu no Tejo, muito antes de se construírem barragens e diques. Desse passado remoto do século XX, ficaram imagens cíclicas de imensos espelhos de água com o transbordo das margens do rio. Os guarda-rios espiavam ou fiscalizavam as licenças dos pescadores, tal como hoje, a guarda costeira faz com os alvarás que são concedidos ou não, aos pescadores de Esposende. Muitas artes artesanais permaneceram até aos nossos dias como o “traquete”, a “rapeta”, a “frisa” ou o “galrricho”. Tal como o rio Cávado, também o rio Tejo ficou muito poluído e alterado (Extracção de areias, químicos da agricultura, efluentes industriais, águas térmicas, etc) e peixes como o sável ou o salmão desapareceram. No rio Cávado nunca mais se pescou por exemplo o barbo! Posto isto, a maioria dos “lobos-do-mar” e dos “avieiros” são pescadores que desapareceram, sofrendo uma enorme sangria das suas terras. Os primeiros migraram no fim do século XX e os segundos no dealbar dos primórdios do mesmo século. Dos avieiros restam antigas bateiras abandonadas nos canais do Tejo e dos lobos-do-mar pequenos barcos a motor que alguns resistentes ainda teimam enfrentar no assalto às vagas de mar. O “Carneiro”, os “Bichas de Fão”, os “Facas”, o “Barracadas”, o “Janelas”, o “Marmelada”, o “Galo Negro”, o “Camolas” são sobreviventes que se dedicam à faina actual no litoral de Esposende. Junto aos “Cavalos de Fão” apanham amêijoas, percebes, mexilhões, gambas e ao largo, pescam robalos, fanecas e sargos. No rio, a “tainha” é o que sai frequentemente. Os avieiros sobreviventes como os “Caneiras” ou os “Palhotas” ainda se dedicam às bogas. “Lobos-do-mar” e “avieiros” estão em vias de extinção. Os novos tempos do arrasto e da fábrica substituíram a “alma” dos velhos pescadores, domadores de tempestades e criadores de mitos! Um dos mitos que conheci, foi agora a enterrar, falo de Zé da Lucas. Era um homem de boina negra e de grandes camisolas de lã, que enganava a neblina matinal e a velha “ronca” do farol. Desaparecia assim deste mundo mais um “lobo-do-mar”, mas a sua memória é justamente lembrada, com o luto das minhas simples e sentidas palavras, pelo apreço e afeição que ganhei ao longo dos anos a todos estes heróis do mar. Alguns nomes de embarcações artesanais ficaram guardados na minha mente – “Sª Maria dos Anjos” em honra da padroeira esposendense, portanto “orago” local, o “ O Mar Obedece a Jesus”, a “Princesa do Mar”, a “Rainha do Cávado” ou o “Senhor dos Passos”. Apesar destes registos memoriais, jamais deixei de ver na borda da água, a “casquinha de noz” que fora sempre, o sonhado barco da minha infância!!!


Andróide aos Pescadores!

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janeiro 18, 2006

Crápulas e parolos de mau gosto

Portugal é um país assistido que vive numa quase “Eutanásia permanente” desde 1986 (Data da nossa adesão à C.E.E.), folgando à custa de subsídios, proteccionismos, desleixos, desigualdades sociais profundas e de riquezas artificiais. Durante muitos anos, um “ranço” terrível ficou entranhado nos parasitas da nossa sociedade; nos safardanas espertalhões, peritos em expedientes e evasões tributárias; nos molengões labregos, “azeiteiros” – versão “light” de arruaceiros ou ainda nos “catedráticos de bancada” que opinam sobre tudo e nada sabem! Somos tipicamente provincianos, parolos ou pouco cosmopolitas, catatónicos militantes, humildes e pouco exigentes nas competências necessárias para desenvolver o país. A falta de rigor demonstra o nosso laxismo secular, a ineficiência e a valorização do “burro” encabelado, idiota que é protegido pela cunha, dado que em Portugal, se progride com esses caldinhos de panela arranjada. Nisso, somos um povo pouco fiável, desonesto e enraizado culturalmente na vida facilitada, sem luta pelo prestígio ou pelo mérito, vivendo sobremaneira de “almofadinhas” nojentas e mofentas de protecções sem moral ou ética profissional. Por vezes, sem qualquer concurso se ocupam vagas, afastando pessoas mais qualificadas, porque a mentira está institucionalizada. Posto isto, não admira que num país de mentirosos e falsários, o perjúrio seja comum nos nossos tribunais. Mente-se em Portugal como uma “sesta rota”, elaborando-se chaços monumentais e ilusões de “cinco reis de gente” que não deixam de mostrar que existe “escumalha” e falta de boa fé em muitos testemunhos perante a justiça. Metade da população anda a enganar a outra metade e falta saber quem é enganado! Uma população que viva da mentira não terá futuro minimamente garantido! Temos uma quantidade enorme de crápulas “armados” em sabedores e defensores de causas ou pessoas, com muita desfaçatez (“O povo chama a isso, latas furadas com caras de pau!) e apresentam muita convicção para enganar a sociedade e persuadir as pessoas mais próximas. Ainda somos um povo temerário perante o patrão, o chefe, o presidente, o deputado, ou a figura ilustre da terra (O mais rico é que tem prestígio social, mesmo que seja um crápula cheio de vícios!), sempre e sempre, os parolos nacionais evidenciando posições de cócoras, como subalternos receosos de perder o emprego. A democracia exige uma conquista geral de direitos a todos os níveis (Económico, social, político e cultural) e não se confina apenas à liberdade de expressão ou consciência (Direitos Civis). Ora, a nossa população muito parola e serôdia, acha normal o servilismo a certas “altezas reais” de “sangue azul” assim como, aceita os “salamaleques” fascistas e reverenciais aos grandes senhores, importantes e intocáveis. Apetece-me dizer que pouco evoluímos em liberdade, somos ridículos e abespinhamo-nos com complexos de inferioridade relativamente ao médico, ao empresário, ao juiz, ao padre e ao estrangeiro. Que democracia é esta? Ora, um povo ignorante baixa sempre o traseiro e os “pavões” bem ou mal formados, envaidecem-se com essas submissões estúpidas, que até baptizam de lealdade. Um povo civilizado respeita o ser humano, independentemente da formação pessoal de cada um, há sempre um respeito de pares e nunca de submissão absoluta de tipo feudal ou esclavagista. Como se sabe muitas formas encapotadas de exploração humana ainda submetem as populações à perda de direitos, como se estas fossem constituídas por seres não humanos. Apenas contam para o voto eleitoral e são catapultados para a ralé como se fossem à maneira de Antero de Quental – Os vencidos da vida ou os desafortunados! O subterfúgio está na dedicação à oração nas missas, pensando que o factor etéreo resolverá os seus problemas diários. Porém, nada cai do céu, sem lutar por aquilo que queremos mas, também é preciso trabalhar melhor, ser-se mais organizado, disciplinado e produtivo! Contudo, Portugal ainda tolhido vive o paradigma dos “Três F” – Futebol (Eu sei pouco ou nada desta linguagem do “futebolês”, que abunda na nossa sociedade, pois a comunicação social presta a esse nível, um serviço público de paixões e “orgasmos mentais”), Fátima (A tradição religiosa com peregrinações de marcha a pé, tasquinhas com loureiro, farnéis para o piquenique são habituais) e o Fado (Bem, sempre lamentámos o nosso triste destino, cantando e chorando o défice, o baixo salário, a subida dos preços, a perda do poder de compra, o desemprego, o endividamento público, a corrupção…). É preciso um “quantum de energia” capaz de ultrapassar esta paranóia colectiva do “Zézinho Desgraçado” que tem que emigrar e acomodar-se aos maus tempos. Mas, ninguém lhe poderá deixar de dar imensa razão, porque a “Vox Populis” costuma afirmar a “Voz do povo é a voz de Deus”! O “Estado Português” não tem sido uma pessoa de bem, frustra expectativas, não gere convenientemente os impostos que são subtraídos ao povo trabalhador, perdoa “tubarões” de modo incólume, promove burocratas, cedendo cadeirinhas e poleiros que dão milhões, auferindo o povo tostões e estando sempre à míngua de boas oportunidades. Onde pára a justiça social? Não há porque não se democratizou o bem-estar da maioria da população portuguesa! O actual governo estipulou um programa para pobres e como diz Milton Friedman, “um programa para pobres é um pobre programa”! O Zé Povo tem razão quando diz que é “um programa da merda”! Infelizmente, somos o país da U.E. com maiores desigualdades sociais e os mais resignados, conformámo-nos com pouco e exigimos muito pouco. Sendo assim, um povo sem grande ambição, tem as suas expectativas de futuro rapidamente goradas. E não adianta “choradinhos e lamentações”! Desabafos para quê, se as pessoas não se manifestam, não fazem greves por medo, não vão para a rua, abanam com as “fronhas” a tudo, levam no “focinho” e acham bem! Lembrem-se também que a democracia não pode fazer tudo, pois não é uma poção mágica! Ela é insuficiente, se a componente pobreza aumenta “hemorragicamente” sem parar. Quando ocorreu a Revolução de Abril prometeram-se os “Três D” – Descolonização (Concretizou-se de facto!), Democracia (Institucionalizou-se com eleições livres!) e Desenvolvimento. Este último “D” está por realizar um dos sonhos de Abril de 1974!!! A Democracia exige rigor, cidadania, desígnios nacionais que todos terão de se esforçar por conquistar. Não pode haver preguiçosos a usufruir de bons rendimentos, por via dos fundos europeus. Esses capitais são o aforro de alemães, holandeses, belgas, suecos, ingleses, austríacos, finlandeses, luxemburgueses e franceses, não são riqueza criada por nós! Muitos convenceram-se que era “um maná” que cairia do céu indefinidamente. Nós continuámos a produzir ao nível do Terceiro Mundo e a consumir ao nível do Primeiro Mundo! Criámos hábitos de ricos, quando somos pobres com a mania de luxos, porque temos feito o trabalho da cigarra e não o da formiga! Não aplicámos adequadamente os capitais nas empresas, na inovação, na ciência, nas tecnologias, na promoção de excelentes recursos humanos ou em incubadoras de empresas de qualidade! O pouco que se investiu foi no “betão” para criar novos-ricos na construção civil – os lobbies dos empreiteiros que construíram o Parque das Nações, o C.C.B., o “Diamante” da Casa da Música, as auto-estradas e pontes bem como, as orgias de insanidade mental como foram os estádios de futebol. Como é que foi possível construir tantos estádios? A Holanda e a Bélgica (Mais ricos!) juntaram-se para fazer o “Europeu”, o Japão e a Coreia do Sul (Outra vez, mais ricos!) juntaram-se para fazer o “Mundial” e nós ricos pelintras, criámos vários investimentos perdidos. Quando não há um planeamento correcto, acontece o prejuízo, o desperdício e o défice! Falta-nos juizinho! Também é verdade que temos um lastro de pouco risco, pouca exposição ao exterior, somos fechados por natureza e carecemos de uma capacidade maior de abertura ao mundo. Milhares de pessoas em Portugal não sabem o que é capital de risco e não criam “capital-semente” para mudar as empresas. Não criam sinergias competitivas ligadas a produtos de gama alta ou de alto valor acrescentado! O Estado não obriga as empresas a mudar de vida (Mais qualificações, melhores salários, mais inovação…), antes balofamente, protege as P.M.E. de modo continuado e muitas delas, não têm futuro face à globalização dos mercados. É certo que as nossas universidades não incentivam o espírito empresarial e temos muito patronato (Patrões com a 4ª Classe) que criou riqueza mas, não investiu nas falidas empresas. O proteccionismo estatal a este nível foi uma “almofada” inoportuna! Temos uma “cultura empresarial” subsidiada com empresas totalmente dependentes do Estado e isso, é histórico. As forças endógenas não querem mudar, vivem nesta mediocridade subsidiada, não temos tradição liberal como outros países e perdemos por ter medo de sermos nós próprios! Vivemos de remedeios, recauchutagens nos modelos de gestão empresarial, somos burocratas até dizer basta e ainda combinámos a centralidade de um país com a ineficácia dos nossos serviços. Por este caminho, continuaremos a divergir dos níveis europeus. Revê-se em baixa o crescimento económico para 2006, que se afigura nos 0,8% do PIB e o desemprego continuará na sua marcha ascendente. Apelo a muita atenção por parte dos meus concidadãos, pois dos fracos não rezará a história e Unamuno compara-nos a espanhóis sem ossos, só falta dizer que somos uns desenxabidos, sem sal, nem pimenta. A pobreza nacional tem revelado números enfadonhos isto é, 21% dos nacionais são muito pobres e apenas 3,5% usufruem do rendimento mínimo garantido. Não me admirará nada, se os pobres aumentarem exponencialmente! Esta depressão pode acentuar-se com o quantitativo de 500 mil desempregados, com a baixa formação, uma vez que até ao momento, só 28% dos portugueses concluíram o ensino secundário e o ensino superior. Porém, com as novas invenções da Ministra da Educação (“A Bela” prima da “Bordinha de Fão”), iremos forjar mais alunos a concluir estudos com sucesso mas, sem o mínimo de preparação ou de conhecimentos. Fazem-se “planos de recuperação” utópicos para alunos difíceis e pouco interessados que depois, irão passar sem saber. E além desta idiotice, somam-se os novos “monstros” – Disciplinas Não Curriculares, sobrecarregando horários, estando fora da alçada dos pais que convencidos da “custódia dos filhos” mandam nos professores. Estes últimos nunca foram ouvidos absolutamente quanto às mudanças introduzidas. São “verbos de encher” e acabarão por ser “dinossauros” em vias de extinção! Como é possível fazer reformas sem escutar os professores? Estão a exaurir os bons professores e a Educação em Portugal está a cair a pique. Quem irá arcar responsabilidades futuras pelo mal-estar actual e pela deterioração crescente do Ensino?! É que o proteccionismo dos maus alunos, faz-me lembrar o mesmo proteccionismo estatal em relação às PME e a empresas sem viabilidade económica! Andamos claramente a arranjar paliativos para mortes anunciadas. Há para aí tantos iluminados em Ciências da Educação, teóricos que não conhecem a realidade das nossas escolas, por sinal ocupam lugares ministeriáveis, para fazer de palhaços o corpo docente e de cobaias o corpo discente. Infelizmente, ninguém quer assumir a luta de classes e os sindicatos tentam em vão, proteger o emprego embora, das pessoas mais idosas. O “magma médio” da nossa população com trabalho público sentirá um amanhã pouco risonho, pois que a idade de reforma é prolongada para os 65 anos, posteriormente 67 anos e quiçá mais à frente 70 anos. Deste modo, os mais jovens dificilmente ingressarão no mercado de trabalho. Se juntarmos a isto, a falta de seriedade de muitos que fazem falcatruas notáveis, cerca de 1/3 de baixas por doença que são considerados embustes, veremos como no nosso país, os “calhordas” vivem flauteadamente com lampejos imaginativos. São estes crápulas a desenvolver falsas estratégias que deixam o país na “rua da amargura”. Ninguém os demove porque a cultura da fraude está enraizada, tal como a cultura dos proteccionismos! Mas, ninguém protege o desgraçado que aufere o salário mínimo (cerca de 370 Euros). Aqueles que fruem do subsídio de desemprego, possivelmente ganharão mais (500 Euros) sem trabalhar e fazem ainda uns biscates para angariar mais algumas “massas”. Um sistema assim é injusto porque subsidia o malandro ou o malabarista saloio. A continuarmos com injustiças insanáveis, um dia o regime democrático implodirá por dentro e o povo amotinar-se-á contra qualquer mau governo, não interessando para ele, se o quadrante político é de direita ou de esquerda. Uma sociedade mede-se pelo cuidado com que trata os seus pobres. É importante pensarmos doravante num modelo económico viável, equacionando três vectores cruciais – Penso que no presente – A Saúde dos seus cidadãos, as condições de trabalho e as oportunidades de emprego; - Recuperação do passado – A segurança social (As Pensões de Reforma continuarem asseguradas para aqueles que trabalharam uma vida); - E a pensar no Futuro – A Educação correcta dos jovens e a preparação para a vida activa, com universidades mais ligadas ao mundo laboral (empresas privadas e instituições públicas). Urge que muitos proteccionismos e desleixos terminem – a cunha do crápula, o parolo de mau gosto que engana o Estado, fugindo às suas obrigações, este porventura tem conseguido sempre “guarda-livros” habilidosos, juristas que interpretam os “buracos da lei”, contabilistas que sabem de Engenharia Financeira a “potes”, fiscais com Ambiopias e Nistagmos, a premeditada “ronha” nas baixas por doença, muita irresponsabilidade no trabalho, o inquilino com rendas congeladas ad-eternum, o lambedor de botas do patrão ou do chefe, a subserviência dos humildes labregos aos senhores ditos importantes, os alunos convencidos que sabem muito, num tempo de notas inflacionadas, a demissão dos pais de educar os seus filhos, arranjando “depósitos” para guarida, a medíocre mentalidade que atraiçoa continuamente o nosso progresso como povo, etc. E nos tempos que correm, alguns nibelungos com bandeiras partidárias mostram presença para demonstrar a fidelidade que não é ideológica mas, ocasional e de oportunidade. E os parolos ficam contentes com os pseudónimos que se arranjam para os ilustres candidatos à P.R. Sendo assim, fiquei estarrecido com os cognomes à moda monárquica:
Cavaco – O competente (Foi tão competente que desbaratou fundos durante dez anos de governação);
Soares – O experiente (Foi tão experiente que tem apego à cadeira do poder para salvar os parolos e os enganados da sorte. Passeou à custa dos tansos!);
Alegre – O Simpático (Com aquela voz melancólica, só pode adivinhar fado e mais tristeza para o povo);
Jerónimo – O Justo (Justamente por ter sido operário metalomecânico, conhece as dificuldades e as vicissitudes populares, quando Sócrates sentenciou de morte as classes média e baixa);
Louçã – O Dialogante (Bem, dialoga com os fraquinhos todos, lá isso é verdade! Não passará de um “enfermo” ilustre da política porque não está num grande partido);
Garcia Pereira – O Honesto (Aqui, concordo plenamente, quem não chega nunca ao “poleiro” só pode ser honesto e dizer naquelas “caretas” mentirosas muitas verdades que custam a ouvir!). Este último parece que adivinhava o escândalo casapiano sobre as “escutas telefónicas” de políticos ilustres da nossa praça. O Procurador “Solto o Moiro” é mesmo um “mouro” de problemas, evidenciando claramente a justiça de trambolhões que temos! E um tal “envelope Nove” suscitado por um determinado jornal revelou uma gravidade enorme, a ser verdade, pois que uma polícia criminal só pode investigar algum suspeito, com mandado de um juiz e nunca arbitrariamente o P.R., o 1ºministro, governantes, Presidente da Assembleia da República, deputados ou qualquer cidadão comum. Não se confunda a função da Procuradoria da Republica com a dos Tribunais efectuada por juízes. Um destes dias ainda ouvimos falar do “Envelope 69”, aquele que nos tramará a todos. Ora, como a justiça está muito doente e tem sido pouco credível, assim vai a democracia e a vida social portuguesa! Sinto uma enorme tristeza com a notícia de fecho de escolas, esquadras de polícia, maternidades, hospitais, em prol da famosa reorganização da Administração Pública. Se fosse para aumentar a eficiência dos serviços seria óptimo mas, curiosamente fecham no interior do país e certamente promoverão mais a desertificação em regiões deprimidas. Duvidam desse efeito!? Julgo que mais desemprego estará na calha e maior será a deterioração do nível de vida dos portugueses. E a vida portuguesa degradar-se-á mais até quando!? Para quando a retoma? Iremos retomar à “cavacada”, com diálogo socrático e tabus permanentes? Pressinto uma “parelha” incrível do tipo – “Um mata” e o “Outro esfola”!!! Quanto a nós, saloios seculares e parolos urbanos ou rurais, continuaremos a desculpar tudo o que é indesculpável!!! É preocupante a irresponsabilidade, a falta de compromissos sérios, a reivindicação de direitos sem cumprir deveres e claramente os maus exemplos dos nossos superiores hierárquicos.


Andróide muito preocupado!

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janeiro 11, 2006

O Leitor de "Cagatóis"

É evidente que eu não quero substituir a cartomante Maya, nem o astrólogo Zandinga. Pretendo apenas e humildemente ler a alma lusa, face às futuras eleições presidenciais, num momento tão crítico da vida social portuguesa. Com a campanha eleitoral em curso, esgrimem-se argumentos a favor ou contra, qualquer dos candidatos mas, a auto-estima nacional está diminuída moralmente e o povo votará com a mesma amnésia de sempre, esperando mudar o que é imutável. Durante anos, fomos governados pelos mesmos partidos do bloco central, alternando PSD com PS e estruturalmente continuámos mal. De quem é a responsabilidade? A nossa memória colectiva tem sofrido uns “apagões” diacrónicos, alguém diria que é normal o “Blackout” nacional relativamente aos ilustres governantes e aos P.R. O sorumbático Eanes, com o seu militarismo fervoroso discursava friamente, chegando até a fundar um partido, obviamente o P.R.D. e o civil Soares, de rosto abolachado e viajante aprimorado (O Abominável Homem das Tartarugas das Seychelles), fundou as Presidências Abertas cortando fitas, dizendo que era um árbitro imparcial e pouco mais. Sucedeu o anglo-falante Sampaio, com a sua pertinácia de amoque, passando por duas eleições antecipadas, com a evasão guterrista e a catanada a Santana. Pertencemos à O.C.D.E. (Somos aliás, os últimos em formação escolar, entre 30 países!) e aportamos connosco, vinte anos de membros integrantes da União Europeia que não mudaram o rumo deste povo cinzento, inculto e triste. Armámo-nos em ricos e somos verdadeiramente uns pobres cadamostos. Nunca inventariamos a quantidade enorme de pessoas fraudulentas e usurpadoras de bens públicos que encheram baús, enfim muitas anóveas sem reprimendas. O povo tem comido calado o “pão que o diabo amassou” sem quaisquer tumultos, embora com incompreensões relativamente aos maus exemplos das cúpulas dos altos senhores da nação. Não esqueçamos o que diz Aristóteles, o homem é um animal político por natureza, se não é, então é besta ou é um Deus! Ora, por mais que transpareça um certo afastamento entre os líderes e os liderados, o povo julgará sempre pelas ocasiões imediatas que o fazem sofrer. Posto isto, é comum dizer-se popularmente que mudam as moscas e a merda é a mesma! Será sempre assim?! Eu imaginei então, os “cagatóis” dos nossos ilustres candidatos a P.R. Começo pelo Super-Mário que descobriu o elixir da longevidade, o seu cagatol será nos tempos futuros, uma sanita mais larga para caber o ilhós, com uma almofada na tampa, podendo deste modo fruir da sesta. Deste modo, teremos um “Caga e Dorme”! Passo de seguida para o poeta, este terá sempre à porta da retrete, o poema – “Neste lugar solitário, onde a vaidade se acaba, todo o cagão é valente e todo o valente se caga!” Ora, o cagatório das musas do Éden terá muitos tiros de caçador! Este candidato será um “Cagão Ruidoso”! Zézito tem medo de um Presidente que ninguém o cale! Passando ao Jerónimo, este Apache estará confinado a uma reserva de defecadores com hemorróidas, portanto as fezes serão sempre avermelhadas. Defecará a comer sapos vivos e não haverá proletariado que aguente! “Benficará” no seu lugar da maledicência em relação aos maus governos que aturámos! É um “Come e Caga”! Louçã defecará de “fininho”, será um rasga – mantas, um cagão que defenderá os pequeninos com prisão de ventre – imigrantes ilegais, prostitutas, gays e lésbicas, doentes de SIDA, excluídos da sociedade em geral. Por mais que defeque para as políticas governamentais, não chegará a incomodar o “status quo” instituído pelos tubarões nacionais – os lobbies dos empresários e construtores civis, bem como todo um covil de liberais que fogem às suas contribuições perante o Estado. Portanto, o Bloco fará as suas necessidades com dificuldade e de som baixinho. É um “cagalhoto mula”! Quanto ao Aníbal, o Homem é algarvio e a sua “algaraviada” não dá para os mais cépticos entendê-lo! Falará sempre das “massas” e vigiará o governo com prontidão até “ferrar nas canelas” do arrogante Zézito. Bem, ele cagará de cima de uma escada para a sanita, isto é “Caga de Alto” para todos eles!!! A concorrência ficará atolada na merda! Não me admirará que ele seja vencedor, pois a angústia popular é grande e vê nele, a “revanche” que Zézito merece, por ter enganado o povo que votou nele. Os mesmos que lhe deram a maioria absoluta, também darão ao Tio Aníbal. No que concerne a Garcia Pereira, este será um autêntico “Cagalhão David” contra os outros cinco gasosos “Golias”. Ora, eu leio assim, a alma penada dos portugueses pois que, têm sofrido uma tormenta de 9 meses governativos. Tem sido um “parto” difícil, com uma tremenda diarreia mental! Os “maus agoiros” dizem que o fim das ilusões chegou à sociedade portuguesa. Os salários reais ainda divergirão mais da média europeia, cresceremos menos que os parceiros comunitários e as reformas aos 65 anos, só por um “canudo”! Desenganem-se os que esperarão algo no fim das suas vidas profissionais. Sim, fazem descontos para a Segurança Social porque as suas contribuições presentes pagam as reformas actuais mas, não pagarão as suas! O fundo de pensões ou de estabilidade da segurança social falirá dentro de dez anos (Colapso previsto por volta de 2015). Não será possível dentro de 30 anos, mudar o curso às actuais pirâmides invertidas e neste exacto momento, já temos cerca de 17% da nossa população com mais de 65 anos. Deixem-se também de vaidades ocas, mostrando casas, carros, computadores e telemóveis porque o poder de compra continuará a baixar nos próximos anos. Ilustres senhores dos Têxteis, Calçado e Mobiliário (E outras indústrias tradicionais) ou inovam ou arrumam as botas de vez! O “dumping social” asiático (China, Índia e Vietname) e do leste europeu fará fechar em Portugal mais multinacionais porque o custo de produção no nosso país é mais caro! A transferência da propriedade empresarial é já uma realidade, veja-se o último caso da empresa dinamarquesa “Ecco”. O desemprego (Actualmente de 7,7%) não estancará tão cedo e não haverá dinheiro suficiente para sustentar fraudes com subsídios de desemprego mal atribuídos ou rendimentos mínimos vilipendiados por vigaristas. Senhor Zézito deixe-se de merdas! Os projectos TGV e OTA poderão ser protelados para melhor altura, porque o povo português não viaja tanto de comboio para Espanha como tem pensado ou de avião que não é para todos, não está assim tão democratizado. Essa ideia peregrina dos novos projectos gerar “cash-flow”, só na cabeça do “Inspector Martelada”, pois duvido que sejam minimamente rentáveis! Invista nas nossas empresas (Exija dos empresários risco de bom investimento), modernize a Administração Pública (O Custo fixo desta é de 15% do PIB nacional, comparando com 9% em Espanha e 12% a média da U.E.), fomente mais a formação dos jovens (Sem a traficância pseudo-hedonista de resultados estatísticos), aposte realmente nas tecnologias de vanguarda e baixe os impostos gradualmente (Os empresários pedem-lhe tributação Zero no IRC para atrair investimento), combata com eficiência a cadeia de fraudes nacionais (Uma boa fiscalidade também é importante). É preciso rigor, claro! Mas, não é desvalorizando o trabalhador, com o processamento de baixos salários que a produtividade e a competitividade aumentarão! Lembre-se, já que gosta tanto do modelo social escandinavo, esses países do Norte não têm TGV, nem grandes aeroportos e não deixam de ser países desenvolvidos! Esses projectos até poderão ser futuros mas, agora deverão ter outras as prioridades. Vá lá, acorde, deixe de ser teimoso compulsivo! Os “casmurros” também mudam, demora tempo, eu sei! Urge um arreganho sério da vida económica. Para quê, continuar a regovernamentalizar certas empresas que continuam abrigadas da concorrência internacional se elas não são eficazes? E peço-lhe com firme singeleza, adopte medidas para acabarmos com a burocracia. Nós não somos pragmáticos, temos uns abnegados estupores carregados de papéis, empatando tudo e vivendo de papéis não se admira que o país fique aos papéis! Temos ainda montes de “burrocratas”! Não me enganei na palavra, é mesmo essa e significa – O Poder dos Burros! No meu “cagatol” se eu pudesse deliberar à vontade, limpava o ilhós a tanto despacho, ofício-circular e diploma cego, surdo e mudo! Depois, temos uma justiça farta de recursos, com revisão de recursos, providências cautelares, pedidos de esclarecimento e interposições a estâncias superiores e ao Supremo, aos Tribunais Administrativo e de Contas, além de uma pesada herança de avenças para “mamões”, custas de tribunais sempre a esticar para os queixosos. Ora, a gente sabe que a justiça em Portugal custa mais à vítima que ao arguido culpado ou não! Fica-se com ressentimentos de que é mais oneroso defender um inocente que um réu. Vai haver sempre contraditórios com excelentes retóricas para fazer prova da idoneidade de muitas afirmações e testemunhos. Além desta “fossa asséptica” que é a justiça, já conhecemos o “esgoto da E.T.A.R.” que é a Educação, com mentes enganadas por um falso sucesso e a enorme “Cloaca” (Gigantesco Cagatol) que domina as Finanças Públicas do país. Quanto à Saúde, esta é um “Emissário Submarino” de “cacas grossas” porque não há um atendimento digno dos pacientes (Só posso chamar pacientes, pois sofrem em 1º lugar da paciência por serem doentes). Contudo, a maior quantidade de matéria orgânica está presente na qualidade da governação de muitos anos. O povo sofre a poluição biológica destes “excrementos políticos”, “cagalhões à solta” que se espalham à escala do território nacional. A “Eutrofização” chegou a todos os sectores da vida portuguesa por falta de rigor, organização e diga-se toda a verdade, por falta, acima de tudo, de competência. Muitos “Caga nas Calças” e “Borra-Botas” singram no seio da mediocridade, claro no meio da merda estão desemerdados! Vivemos num imenso “cagatol”, com a trampa sempre a chegar aos nossos narizes todos os dias e por isso, muitos portugueses só poderão viver tristes. É assim que eu leio a alma portuguesa nestes últimos dias que têm passado! O frio enregela os corpos e a angústia apodera-se do espírito, pois há uma grande impotência para resolver os problemas do dia-a-dia. Cheio de boas intenções está o “Inferno cheio” e como diz Nietzsche – “O Homem é o único animal capaz de fazer promessas”. Independentemente do resultado das eleições presidenciais, faço-vos uma promessa solene e não falharei ao cumprimento na íntegra – “A merda continuará na mesma” porque o cagatol português continua muito sujo. Acreditem, este é um bom pensamento lavado!


Andróide Enrilhado no Cagatol-Môr!

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janeiro 04, 2006

Antídoto contra os Velhos do Restelo

Portugal não é um país de coitadinhos e malfadados, fatalmente condenado à subserviência europeia, mendigando ad-eternum fundos estruturais ou resignadamente lembrando a pequenez, como os Velhos do Restelo sempre nos recordam. Temos dificuldades económicas, não há dúvida! Temos ignorantes, analfabetos e burgessos, tal não pode ser sonegado porque existem indesmentivelmente factos e realidades comprovativas. Também não somos totalmente gente de “brandos costumes”, como tanto se tem apregoado. Então, verifiquem os casos de filhos abandonados, maltratados e trucidados desta vida ou os casos de violência doméstica. Existem muitos atavismos ridículos na sociedade portuguesa que ainda não foram ultrapassados, também é verdade! Gostámos ainda de recordar fracassos históricos, num tom pessimista e concomitantemente masoquista. Penso que estas “vibrações negativas” emergem sobretudo em tempo de crise. Normalmente, nas épocas de “vacas gordas” gasta-se à “brava”, esbanja-se selvaticamente e ninguém denuncia “apertos de cinto”! As bazófias à portuguesa são características ancestrais dos portugueses que guardam a melhor roupa (“Passada ou vincada” a ferro de engomar) para o Domingo ou as melhores “toiletes” para as festas (Romarias, raves, “free parties” etc.). É peculiar o “show” com “mostras” de carros, amostras de bebidas destiladas, charutos e perfumes femininos e afeminados. Ora, nos dias que correm, a “moda” passa por muitos pais desta época, levar os filhos à discoteca por volta das 2h da manhã e ir buscá-los às 8h da madrugada. Os filhos passaram precocemente a mandar nos pais, diatribes da actual modernidade! Há até uma tendência generalizada para a “clonagem” de hábitos castelhanos, dado que as discotecas e os bares abrem tarde e prolongam o seu horário por toda a noite. Claro, há legislação permissiva, alvarás que determinam os horários de abertura e fecho desses estabelecimentos de diversão nocturna. Só não conseguimos imitar os espanhóis na “sesta”, diga-se que foi reduzida em cerca de uma hora pelo actual governo espanhol, deixando “nuestros hermanos” furibundos, com delírios verborreicos! Quanto às nossas televisões, alertam as famílias incautas, que os seus filhos podem correr sérios riscos com o consumo de “ecstasy” e novas drogas sintéticas assim como, para a nova modalidade de crime – o “Drink Kingspying”, podendo ocorrer simplesmente num bar, representando um duro revés para os jovens e as jovens, sendo assaltado(a)s ou violado(a)s. Mas, não quero ser redutor naquilo que quero demonstrar e não estou imbuído em desmistificar as nossas especificidades lusas. Não somos como o senso comum profere, um povo atrasado e inculto. É certo que temos muitos dementes individuais e sociais, e até uma gama alta de “adiantados mentais”. Existem bons cientistas portugueses disseminados pelo Mundo – Especialistas no que concerne à Engenharia Aeronáutica na NASA, economistas nas melhores universidades americanas, físicos e químicos nas universidades britânicas e alemãs, não esquecendo o Director da Agência Espacial Europeia que é um ilustre “portuga” ou o Director clínico de um hospital parisiense também da nossa terra. Temos excelentes psicólogos, parapsicólgos e psiquiatras (Os Damásios) e uma estirpe de escritores notabilíssimos como Saramago, Lobo Antunes ou Lídia Jorge. Não quero falar do “mundo atípico” da bola, porque o desporto em Portugal é só futebol mas, temos desportistas admirados no estrangeiro (José Azevedo, Vanessa Fernandes, Tiago Monteiro, Carlos Sousa, Francis Obikwelu, entre outros). Tangível aos nossos políticos, também não se pode dizer que estejam moribundos – Guterres chefia a ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e Barroso lidera a Comissão Europeia. Quem é que diz que nós não temos visibilidade? Os “Defuntos do Restelo”, esses Ximbutes! Uma sondagem recente no Reino Unido, até afirmava que Barroso mandava no país de Sua Majestade. Países como Luxemburgo, Suiça e Irlanda serão falados, todos os dias, na Comunicação Social Mundial? Claro que não! Deixemos então as lamúrias infundadas, rabugices dos velhinhos azarados! Depois, não é verdade que todos os recordes pela negativa recaiam sempre nas terras de Vasco da Gama. Nesta quadra festiva, a Austrália divulgava o nº de mortes em acidentes de viação – nº que atingiu os 50 óbitos confirmados (“Holidays Road toll reaches 50 Deaths”) e a Nova Zelândia cerca de 18 óbitos em acidentes de viação. Falámos evidentemente de países mais populosos e mais desenvolvidos. Infelizmente por cá os números chegaram às 14 mortes. Mas, os maus exemplos dos outros, não justificam os nossos erros! Outros exemplos infelizes confirmam que os incêndios não são só um flagelo luso. Incêndios em Okhalahoma e no Texas também dizimam centenas de casas e fazem vítimas mortais. E os recentes “Bushfires” na região australiana do Sul de Gales desmantelaram casas e promoveram alterações no habitat de muitos cangurus. Portanto, as fatalidades não acontecem só no nosso país. É um costume nos penitenciar das negligências e problemas de mentalidade, que realmente existem! É verdade que existe incúria e muita pobreza de espírito mas, não sejamos derrotistas, ao ponto de pensar que tal, só acontece a nós, aos filhos da “esfera armilar”, netos do “escudo” que veste centralmente a nossa bandeira. E os exemplos não ficam por aqui, as inundações da Ribeira no Porto ou do Vale de Santarém também têm paralelo em França (Bordéus), na Inglaterra (Na Cornualha) ou em Itália (Veneza). Na Holanda, ficam muitos a nadar com as subidas de maré em Invernos mais hostis pois que, nem os diques conseguem suportar tudo! As tragédias ocorrem um pouco por toda a parte, embora o ser humano conviva mais com a angústia próxima de si. Ficamos sensibilizados quando o “prime-time” das televisões nos mostra calamidades como o Tsunami do Índico, o Terramoto do Paquistão ou o “Katrina” a varrer Nova Orleães (EUA). Portanto, as catástrofes naturais e humanas não atingem só os pobres portuguesinhos. Há uma mania constante de auto-flagelo até pelo nº de bêbados ou daqueles que são vítimas de doenças cardiovasculares ou vasculares cerebrais. Isso, não é característica dos pobrezinhos! Caros amigos, abundam bêbados por toda a parte! Não faltam na França (Líder Mundial!), Inglaterra, Escócia, Irlanda e Espanha “esgota-pipas”, sôfregos incorrigíveis “desbundando” a cerveja de pressão! Também não são escassas as vítimas de coração e obesidade em países como EUA, Canadá ou Alemanha. As doenças civilizacionais enfermam os países do “topo” económico e social como acontece com o “stress” e as depressões nervosas. Então, porque vivem os portugueses sempre a lamentar-se? Temos de nos habituar a ser optimistas como os irmãos brasileiros e acreditar mais em nós! A auto-estima nacional passa por cada um e por todos em conjunto! Acreditem que temos uma população capaz de resolver os seus problemas, falta-nos organização e seriedade de muitos cidadãos. Se fôssemos mais organizados, os nossos serviços funcionariam melhor; se fôssemos mais sérios ou se todos os indivíduos pagassem os devidos impostos (Cada um a fazer a sua parte!), o país teria mais oportunidades de criar investimento e os portugueses viveriam mais desafogadamente. O problema reside no incumprimento de muitos cidadãos e consequentemente de muitas instituições. A partir daqui, lembrei-me da mensagem por e-mail enviada pelo meu amigo britânico “Mike”. Ele desejou-me uma original saudação de ano novo e eu então extrapolei essa mensagem para todos os portugueses de que realmente precisariam de um Ano com muitas F.O.D.A.S! Vamos lá descodificar este assunto, não é aquilo que estão a pensar, seus “moinas”! O “F” significa Felicidade (Saber estar na vida, ter uma atitude de equilíbrio mental e afectivo!), o “O” quer dizer optimismo (Para desaparecer de vez, o fantasma do Velho do Restelo!), o “D” diz respeito ao Dinheiro (Que deve ser conseguido com mérito e bom desempenho no trabalho!), o “A” é o Amor (O “sal” ou o “fermento” da vida!) e “S” é a Saúde (Sem ela ninguém consegue realizar os seus projectos durante o tempo em que vagueámos por este Mundo!). Em suma, o melhor antídoto contra “azares”, “maus-olhados”, “desgraças” e infortúnio dos nacionais passa pela consecução de, anos após ano, na obtenção de muitas F.O.D.A.S. Então, vivam as F.O.D.A.S. e morram os V.E.L.H.O.S. do Restelo. Já agora, a terminologia (Velhos) que deverá desaparecer é a seguinte:
- O “V” de Vigarista (Artistas da corrupção! E há tantos passarinhos de gaiola que andam por aí à solta! Já agora, perguntem às vacas dos prados, se viram passar por aí o peru!? Sabem, eu gozo como os espanhóis o “Dia de Reis” e preciso de um bom peru no farnel!!!);
- O “E” de Esquizofrénicos (Com a mania da perseguição, afirmam que os portugueses são sempre vítimas e que têm sempre os piores recordes!);
- O “L” de Larápios (Aqueles que fazem mingar os salários dos trabalhadores, exploradores desavergonhados, usurários malditos e que “tolhem” carreiras e bons desempenhos);
- O “H” de Hediondos (Indivíduos feios que valorizam apenas o mal, o mal feito, o mal estar, o mau ambiente social e natural, a má conduta….);
- O “O” de Ostentação (Vaidades ocas, que não servem para nada. São aparências que não prestam, apenas iludem os pobres de espírito);
-O “S” de Sovinas (Egoístas que gostam de obliterar a felicidade do outrem, desbaratam amizades e retiram a esperança de êxitos). Sendo assim, do Restelo só a cruz de Cristo, ou os pastéis de Belém (“Natas” divinais, cuja canela deu-lhe um sabor especial!) deverão ser agraciados.
Já agora, não fiquem tristes por termos vendido a “marca” do Vinho do Porto aos americanos porque o “Tawny” “casa” muito bem com o queijo “Stilton” (Um queijo azul, muito condimentado em sal!). Eu tenho a certeza que eles (americanos) irão apanhar valentes “caganeiras” de caixão à cova! Tal, será uma óptima notícia para os defensores da selecção natural pois, os gringos irão esforricar-se de tal maneira, que terão de importar doses maciças de “Imodium” para limpar todo o “chiqueiro”! Todavia, o “Queijo da Serra da Estrela” (Um queijo que tem vida como um corpo, pois muda de sabor de um dia para o outro!) e o “Porto Ferreira” têm sido muito bafejados pela sorte pois, as compras americanas desses produtos nacionais cresceram à custa de um publicitário belga na “Big Aple” – Nova Iorque e na vizinha Nova Jersey. Sabiam disso!? Pois é, eu estou informado, meu filho!!! Se pensarmos um bocadinho, veremos que as imitações nunca são como os originais. O “vinho do Porto a martelo” (Um sucedâneo) de espanhóis e americanos, nada tem a ver com a vinha característica do Douro (A Região Demarcada mais antiga do Mundo!). Não basta dizer a proveniência no rótulo, é necessário um selo de garantia que é da Região Demarcada do Douro! Assim, será fácil distinguir a cópia do original! Como diz a canção de Abrunhosa –“E numa asa voa, a cada beijo teu. Esta noite sou dono do céu e eu não sei quem te perdeu!” O nosso néctar é imperdível e abraça o tempo imemorável dos séculos, das castas e dos rabelos. O aroma, a cor e a textura são inconfundíveis. Não há “Velho do Restelo” que abraçado aos “Umbrais” do Tempo desfaça a esperança e o orgulho de ser português! A “marca Portugal” é um desígnio de todos os portugueses e ser português é um privilégio de Deus!!! Sejam positivos e digam em voz alta, por Portugal tudo faremos!!! E Boas “F.O.D.A.S”!!!

Aviso: A partir de hoje, será publicado apenas um blog por semana, sobretudo à 4ª feira ou 5ª feira, conforme a disponibilidade! Obrigado!!!

Andróide para F.O.D.A.S!

Publicado por Paulo Dias em 06:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 01, 2006

O Nosso Tempo

Actualmente existem prédios mais altos e estradas mais largas, porém os temperamentos são mais pequenos e os pontos de vista cada vez mais estreitos. Gastámos mais, consumimos desaforadamente mas, desfrutámos cada vez menos e cansámo-nos inutilmente. As casas são cada vez maiores por força da ostentação, vaidade relativamente ao outrem, grandezas vãs contudo, as famílias são mais pequenas, os planeamentos maiores e os calculismos demonstram uma desproporcionada e terrível concorrência com os valores fundamentais do amor. Temos mais compromissos, porém menos tempo para viver sadiamente, temos mais conhecimentos, porém menos discernimento. Conseguimos mais medicamentos, mais avanços científicos e tecnológicos, contudo surgem mais doenças, “burgas” incomportáveis, pandemias assustáveis e em muitos casos menos saúde! Multiplicámos os nossos bens no Ocidente, porém reduzimos os nossos valores humanos. Constata-se que até falamos muito e amámos pouco e odiamos cada vez mais. As guerras no mundo ainda não deram tréguas à espécie humana. No entanto, chegámos à Lua e a Marte, porém temos problemas para atravessar a rua e conhecer o nosso vizinho, ou o morador do apartamento mesmo ao lado. Conquistámos o espaço, lançámos satélites, contudo conhecemos pouco o interior da nossa Terra. Temos no mundo capitalista mais dinheiro porém, cada vez menos moral! Aludimos ao tempo de mais liberdade mas, somos cada vez mais prisioneiros do trabalho e com menos alegrias. É tempo de mais comida, até surgiram alimentos biológicos e transgénicos, porém há mais fome no Terceiro Mundo e menos vitaminas. Existem famílias que têm pelo menos dois salários em casa, contudo aumentaram os divórcios, existem contentamentos de casas mais lindas mas, têm aumentado os lares desfeitos. Existem famílias que não têm qualquer salário e procuram o pão no lixo da civilização, garimpam a sorte nos contentores e nos aterros. O mundo não se tornou menos assimétrico, graças à liberalização comercial e aos novos tempos de globalização. Por tudo isso, proponho que de hoje e para sempre, não deixe nada para uma ocasião especial, porque cada dia que você viva, será sempre uma ocasião especial. Procure isso na sua religião, conheça Deus, ou se não tem religião, respeite os valores da Paz e da Fraternidade entre os Homens. Viva mais o Nosso Tempo, admire as paisagens, sem se importar com as tempestades. A fúria dos furacões ou dos terramotos são energias planetárias que não podemos vencer. Passe mais tempo em família e com os seus amigos, com a sua comida preferida e visite os lugares que gosta. Lembre-se que no Nosso Tempo, a vida é uma sucessão de momentos para serem desfrutados, não apenas para se sobreviver às intempéries da Natureza. Use a sua “bola de cristal”, peça ao seu “anjo da guarda” mais carinho e orientação nos caminhos tortuosos que nos surgem. Não guarde o seu melhor perfume, utilize o charme de saber viver com os outros seres humanos. É bom usá-lo com intensidade e vontade. Elimine frases comuns, “amanhã falámos” ou “num outro dia”, elas devolvem-nos adiamentos, promessas que depois se esquecem. Escreva sempre o que pensava escrever, diga o que pensava dizer! Diga à família e aos amigos quanto os ama de verdade neste Dia Mundial da Paz! Não protele aquilo que somaria à sua vida mais sorrisos e alegrias. Cada ano, dia, hora, minuto ou segundo são especiais e você nunca sabe se será o último sorriso. Espero um bom começo de mudança e um excelente dia para o resto da vossa vida! Se é católico, celebre a quadra natalícia, dando os parabéns ao menino Jesus, o aniversariante que tem sido esquecido pelo desenfreado consumismo, um comércio que fala em pai natal mas, esquece o verdadeiro sentido do nascimento de Cristo. Se não é católico, celebre o novo ano lunar chinês ou o novo ano solar japonês, o ano do cão! Se é muçulmano, respeite os profetas que são comuns à sua religião e às religiões do cristianismo. A todos, espero um braço estendido, um abraço amigo ou uma mão carinhosa, enfim uma hospitalidade admirável, pois que todos celebrem a Paz!!!


Andróide Pacífico!

Publicado por Paulo Dias em 06:08 PM | Comentários (0) | TrackBack